sexta-feira, 25 de maio de 2018

Pessoa de bem

Pra começo de conversa ti afirmo.
Não sou do bem!
Sou uma pessoa de bem.

                            Ícone ortodoxo com santos Africanos
Sem marcas ou termos de religiões fundamentais.
Sou uma pessoa "di" bem meu bem.
Sem crer que bem e mal reconheçam seitas ou religiões.
Uma pessoa di bem nenén.
Dê um tempo pra que a confusão não te cegue.
Se me vê como um demônio problema seu.
Gosto da vida e de tudo que viverei.
Sou uma pessoa di bem.
Não mato, não roubo, não  violento mulher, bicha, negros  e nem nenéns.
Sou uma pessoa di bem.
Se confundo sua compreensão é pra que enxergue melhor o mundão.
Uma pessoa di bem meu bem.
Me lembro de quando todos se escondiam na contramão.
Quem hoje invoca a ordem passada precisa de espaço pra transar escondido.
Batendo em mulher, matando índios, sapas e viados sem complicação.
Eu não sou do bem neném.
Sou um homem di bem.
Orações de corações sujos não chegam à Deus.
Sou uma pessoa di bem neném.
Não me interessa sua prece egoísta/ profana seu sucesso manco.
O conforto dos outros ti atrai?
Que sua crença te faça uma pessoa melhor.
Eu não sou do bem. Sou uma pessoa de bem.
Lembre-se também de mim e dos outros.
 Eu não sou do bem neném. Sou uma pessoa di bem. 
Pedro Guimarães

Mamãe

Então mamãe!

- Por quê desde pequeno durmo pouco nas noites que me acalantava sacrificando-se?
Querendo se livrar do incomodo que me reservava com todo amor que te aprazia sem que suas culpas a torturassem com odores "galactósos"  uma necessidade gozosa de usufruir de um marido viajante que por mais provedor,"presente" constantemente era distante.
                                                           Estátua de Oswaldo Saiane

 Fui crescendo por mais que não entendesse falas e signos da perversidade adulta. 
 E dessa forma quando ouvia das suas vizinhas amigas as maravilhas dos outros maridos vizinhos mais presentes  que as enlouqueciam com sexo constante afirmativo e até insistente. Enquanto criança ninguém me explicava e principalmente não me explicavam nada.
 Não diziam às crianças; só falavam na frente delas como se elas fossem surdas e incapazes de compreender. E isso tem algo de bom!?!
 Resignava-se por sabe!r o quanto de amor teria no porvir da volta dos seus.
 Teve mais filhos do que todas as outras, que a infernizavam com seus relatos de cópulas diárias como troféus de casamentos.Perfeitos!?! 
Mantinha a certeza da fidelidade deste marido viajante, coisa que tinha certeza que as outras não tinham com os seus ali sedentários. 
Tinha uma certeza confiante cortante como lamina que aliviava sua espera.
 E sempre era recompensada com a volta do seu homem/marido com uma recompensa que só os paninhos milimetricamente cortados no saco atrás da porta do quarto casal  para enxugar sua xoxota do leite do marido após gemidos e gritos abafados pra não acordarem os meninos nos outros dois quartos ao lado, toda vez que ele voltava.
 Nunca sentiu cheiro de outra mulher nele. Realmente se sentia superior aos maldizeres das vizinhas que com homens em casa relatavam  pelos e cabelos estranhos nas cuecas e cheiros femininos das outras conjugues na hora de intimidades. 
Agradava esse marido que jurou fidelidade no altar. E olha que tentações pecaminosas passou e sobreviveu. Homens brancos e ricos percebendo sua destreza solitária domiciliar com os moleques, indecorosamente lhe propunham deleites gozosos em segredo ou mesmo até amasiamentos.
 Recusavas por mais que tais propostas lhe suscitassem fantasias, resistia.
 Sabia o dia em que seu paladino voltaria.
E esse acordo era de uma precisão de um relógio suíço.
Tinha sido doméstica na adolescência porém depois do casamento ele conseguiu mante-lá como dona de casa. Só cuidava dele e dos seis meninos, na vizinhança da pequena cidade eram a única família negra ali daquela rua onde só moravam gente clara e branca. Que traziam assim pra eles uma espécie de admiração misturada à uma compaixão brasileira,um racismo míope e obtuso.
Os meninos crescem. Nenhum se reclina ao crime, são educados, bonitos trabalham mas não entendem a necessidade de estudo. Olham isso como algo que não os pertencem, seus amigos de rua tornam-se engenheiros, advogados médicos e somem dali. Voltam no dia das mães pra visitas rápidas e efusivas onde comentam seus progressos e conquistas. O lugar assim poderia morrer dentro do que lhe foi determinado com sua rotina monótona; Mas o acaso é o Deus mais potente e perturbador.
Foi assim que um daqueles meninos da família negra comiserada e condescendente . Sei lá por qual motivo. foi convidado pra vender veneno agrícola pelas fazendas e cidades da região e depois de aprender a dirigir foi ampliando uma atuação que o levou pra cidades cada vez maiores onde o simples dormir ali e aqui, construíram curiosidades estupefatas que vão se explicando e descortinando entendimentos ainda mais perturbadores. 
Uma perturbação difícil de explicar algo que assombra e ilumina ao mesmo tempo.
 Uma alegria irracional que faz a razão anterior se tornar nada.  
Na medida que se afastou da família passou a conviver com gente intelectualizada nas cidades grandes e embora sem ter vivido universidades, aprendeu a pensar e falar como esses.
Por algum motivo difícil de se explicar ou entender voltou-se contra os venenos. 
Por mais estranho ainda, passou a defender divisão das terras para índios, negros e mestiços, depois de romper com seus antigos valores de origem resignada foi viver muito longe dos seus. Hoje soubemos que foi  assassinado no sul do Pará. Não acharam seus matadores; Mas virou nome de uma associação de direitos humanos da ONU. Que bom seria se ao invés de mártir vivesse o som de amores vividos, e que a vida fosse justa daquilo clamado como imparcial e sempre mentirosamente propagado.
Por quê o amor é tão difícil?                                                       Pedro Guimarães

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Vazante

Por todas as casas que passei neste natal e ano novo
Percebi torneiras vazando
Água potável se esvaindo em desperdícios
Uma espécie assim de pesadelo hídrico
Das casas mais ricas à mais pobres
Minha torneira da cozinha vaza
Mesmo que eu feche registros
Compondo-me em um pesadelo
Uma tortura chinesa irrefutavelmente maior
Superior que minha vontade
Uma sensação tão impotente como a grandiosa consciência política de Argentinos nessa América do sul recolonizada
Vejo na televisão um levante no Irã contra o Aiatolá de lá
Recolho meus ideais e convicções inseguros e tão confusos como uma fanfarra do leste europeu
Parecidos com um Paraná auto afirmante
Perambulando pela rua sou impingido a falar com mavãs e mulambos. Qual a diferença entre mavã e Mulambo? Alguém sabe me dizer?
Sim! Não me reservo e muito menos me excluo de ouvi-los

Tenho uma cara cachorra que os trazem-me pra confidenciar suas impressões, verdades, dúvidas e principalmente desejos dos mais insólitos e até elevações
Tento fugir.Gostaria muito
Mas por ter que transitar todos os dias por seus espaços estou ali exposto
E também sinto uma necessidade impotente minha de ouvir e falar menos
Já falo muito quando me sinto seguro
Coisa que me trás uma incontinência verbal e sonora arrogância 
Parecida das torneiras que vazam nas casas que passei nos últimos dias
Pior que a surdez é a cegueira
Duas deficiências que assombram-me mais do que toda morte de sentidos
Sentidos que não negam minha vontade de vida
Que me iludem mais de que a morte que não existe menos que os medos maiores do que todo o sentido da vida
A decrepitude esvai tudo como um vento assassino
Posso existir por não atentar-se sobre ela (a morte)
Rir das coisas e de mim mesmo pode ser uma elevação dos sentidos mórbidos
Algo fugidio de vaidades nossas, vossas e dos outros
Gostaria de mãos impermeáveis pra conter as águas dessas torneiras obtusas independente de serem pobres ou ricas
Semeando torrentes em solos áridos e infecundos
Nem netuno, nem oxalá, nem Júpiter, nem hércules, nem Exu com sua criação do mundo inconsentida causadora do ressentimento que o acompanhou até hoje.
 Formando um demônio dos monoteísmos. Mal visto como demônios maiores das profundezas dos infernos mais abissais
Gosto tanto de você que me assusta o fim do nosso sexo e relação. Situação possível que construa e destrua tudo que te disse. Mentiras sobre nosso amor enlouquecedor sem filhos ou matrimônio que torrenciam lágrimas em meus olhos
Coisa que não controlo mas que sobrevivo as possíveis cores das músicas todas que aliviam minhas vontades menores de dizer meu amor por tudo aquilo que quem sabe um dia diria o que sou.
Pedrão Guimarães.
  

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

É a vida que diz Marina Lima.

Não sei escrever. Escrevo aquilo tudo que não consigo dizer quando me chateio e o que me magoa.
Esplano sobre minha impotência de não falar sobre um amor que por mais entristecedor corrompe estas vontades que de tão tristes trazem uma alegria imbecil repletas de lembranças que prefiro distanciar-me.

 Odeio escrever em primeira pessoa por isso digo e não sigo aquilo tudo que por mais que vivi evito.
Não gosto da maioria das verdades que ouço e quase não falo nada. Não falo nada.
 Queria falar sobre outras coisas.
 Se você consegue te admiro.
 É tão duro sentir aquilo que não nos foi ensinado ou dito.
 Seu sim não diz o quê eu possa fazer. 
O seu sim confessa um não tão mais duro.
 Faço  o quê então? 
Sofro! Choro ou sobrevivo imbecilmente?
 Estou sem saber falar já há algum tempo.
 A poesia me visita pouca e de um tempo pra cá passeia pelos meus sonhos afugentando pesadelos sem permanências, insistências e regozijos. 
Coisa que não me trás maiores alegrias e felicidades por mais que eu gostaria muito de saber à quem agradecer. 
                Pedrão Guimarães

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Miopia

Achava divertido chamar as pessoas de gabiru ou cafuçu.
O quê isso traz de melhor pra eu ou pra você?
Quero converter nossa pretensa superioridade numa inteligência que construa odores de sabedorias que de tão profundas instaure algum tipo de sofrimento em nossa miopia anestesiante e rançosa.

Como é bom bailar a beira do abismo conseguindo não despencar no desfiladeiro. Buraco de uma certeza que acredito ser a maior elevação de minhas verdades, elevador da crença onde presumo ser mais sábio, inteligente, bonito e preparado do que o gabiru, cafuçu, baiano, paraíba, pedreirão burro, capaz de consumir minha vontade/inveja, mais profunda de ser o garanhão entre suas pernas arrancando gritos que possam consumir mais prazer alheio do que tudo que consegui ou imaginei um dia, te levando a uma quase morte onde também eu morra, em submeter-te, num certo sentido querendo estar em seu lugar. Em seu lugar!
 Um desejo escondido nas profundezas mais cavernosas. Onde morro-me nas minhas próprias mãos gemendo num encontro abissal com aquilo que amaria te fazer como se fosse comigo mesmo, um esplendor de abjeções só minhas, algo assim: Paradoxo de perversão.
 Sabonete com gilete no meio colocado por eu mesmo e esquecido pra rasgar entranhas e rostos. Com mãos tremulas e capazes que mentem a profundidade maior dos seus sonhos mais inconfessos.
Não sei se o que em mim é pior : Minha castidade ou minha luxúria. Alguém saberia me dizer? 
O quê mais te incomoda e alegra em você mesmo?


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Sopros

 Amor à vista.(Estamos em guerra)

Sim! As coisas tentam entristecer tudo que "sobre-vivemos" afirmando tantas mortes e desencantos.
E olha que foram tantas num espaço tão curto de tempo. Velhice à vista assombra o sombreado.
A proteção de um sol que alimenta ambiente vivos.
Repletos de plantas devastadas ou envenenadas pra assegurarem a alimentação em massa.
Com nossa legião de plásticos e vapores sulfúricos que confortam amainando-nos dentro de nossa segurança individualista imediatista.
Sem que eu e você entenda essa vida que escorre pelos dedos sem lambe-la.
E crédulos numa impotência asfixiante respiramos nossas idiotices como se fossem as verdades mais absolutas do mundo. 
Uma recusa de enxergar nossa doce obtusidade a certeza dos erros que não cometo e que dessa forma estou fora por ser "do bem".

Uma alegria quase boba.
Por mais que acredite que alegria possa ser mais divina do que a felicidade. 
Tento conter alguns deslumbres que cegam-me.
Dois erros seduzem-nos de forma colossal.
 A bobagem de achar tudo natural e assim sem correção.
E o ódio total racionalista de "gênio incompreendido" (que confesso que as vezes tenho) de que a mudança é obrigatoriamente necessária ser compreendida por todos.
Pensamento ateísta/humanista que em dado momento é desmoronado pelo acaso.
Ai o acaso!
É o Orixá, Deus, santo bíblia mais imprevisível e por isso maravilhosamente cruel.
Atentos vamos observar o quanto as dúvidas nos aproximam de um entendimento mínimo.Máximo (sem relativismos barato)!
 È! 
O minimo se entendido como máximo, pode ser mais que tudo. Tudo!
E a vida(suspiro)?
Que ela seja misericordiosa conosco. Pois as razões dela "cum nóis" ninguém consegue saber ao certo.
O que ela nos reserva?
Sem maiores medos, vamos todos correr riscos.

O contrário também não assegura a falta de traumas e sofrimentos.
A vida não se explica e não nos explica.
Os cálculos constroem pontes,vacinas e bombas capazes de matarem milhares; Mas chega num determinado ponto cego que reduz o engenheiro, o médico e o cientista a uma condição menor de Xamã/feiticeiro.
Gosto muito da vida.
Talvez seja um imbecil, colonizado, aculturado bobô alegre.
Percebo a perversão dessa guerra planetária que se segue.
Mesmo assim gosto muito da vida acreditando e principalmente pedindo ao acaso que alegre-se e não nos maltrate tanto.
 Pedrão Guimarães.

sábado, 15 de julho de 2017

Música nossa de cada dia.



Musiquei minhas descrenças por mais que tenha amado,o que amo,amei e amarei por ter vivido como vivo.

Minto o que em ti,si ou em dó musiquei. Som que nunca consegui sol, fá ré mi.  
Do amor que ri em ré. Senti pouca dó de si.
Afeto é o que move o telefone lá, si ré.
Daquilo que me entoa em fá, lá dó.
Não sei se dó lá mi ri.

Com fá perdi todo sol que com o mesmo sol lá parti. Sustenido consegui. 

Te agradeço meu si.Só si,lá si dó. Fá sei,si,lá ré mi.