quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ESTADO DE SÍTIO




As cidades fecham em si mesmas  


O argumento da degradação das relações 


humanas



Cria o elogio à violência


Que além de espiada e pensada


Coloca-se cada vez mais presente


No grande mundo através de guerras  


No mundo interior na forma de discriminação


Uma série de pequenas maldades


Se destilam em nossas almas e mentes


Desejos íntimos de execuções sumárias


Admiração a justiceiros genocidas


Preenchem o interior vazio da 


consciência



Como um elixir entorpecente


Transborda nossas grutas interiores


Com desejo de morte e odor pútrido


Pra tudo aquilo que não entendemos


Que não conhecemos


Sem que isso crie em mim ou em você


Necessidade alguma de maior compreensão


Nem mesmo capacidade de sentir ou colocar-


se no lugar do outro




E novamente tomados de desejos egoístas e 


assassinos



Clamamos: penas de morte e chacinas em 


nome de segurança



Cidades cada vez mais fechadas, 


condomínios, ruas particulares



Milícias, shoppings e torres de vidro blindado


Que nos assegurem de nossa própria vontade 


demente


De punir infratores


As infrações são sempre alheias


Estamos quase sempre ungidos de inocência 


e boa vontade



Não há nada de errado em se dar bem


Não hei de me tornar alvo por ser bem 


sucedido



E assim fecho-me em muralhas


O imperativo é nos isolarmos cada vez mais 


com nossas migalhas




Que se limpe a cidade: de ruídos noturnos, 



esmolantes, dos sujos,



Dos caídos, da alegria subversiva das 


meninas e meninos de rua,



Do vigor da prostituição, do apagado colorido 


dos bares populares




Dos cães de rua e seus respectivos donos, 



dos catadores de reciclável, da 




permissividade boemia,




da essência humana que coabita na 


coexistência dos diferentes.



Vamos limpar das cidades o desejo humano 


do prazer do sexo




Permeados em olhos famintos que desejam e 


comem




O Brasil que tem fome



Nos isolando na reclusa solidão de nossas 



casas e apartamentos




Gozando a mais profunda perversão de 



nossos sentidos solos




Engaiolando nossas súplicas e desejos numa 


oração profana




Cada vez mais egoístas, solitários nefandos



A ordem se constrói de entradas e saídas



Ausgang-Eingang (ENTRADA E SAÍDA EM 


ALEMÃO)




Nossas cidades estão se tornando sítios 


dentro de gaiolas




Será que o Ibama conseguirá libertá-las?



Sendo assim, mestiços, negros e nordestinos 


devem saber




Colocar-se, e apreciar as entradas de serviço



Pois isso corrobora para a segurança das 


pessoas normais.




Normais?!? 

Pedrão Guimarães


"Belezas são coisas acesas por dentro! 

Tristezas são belezas apagadas pelo 


sofrimento" Jorge Mautner.


Letra da música Estado de Sítio, 5ª faixa do 

disco ZUMBI

 SOMOS NÓS: DIÁSPORA AFRONÉTICA. 

www.frente3defevereiro.com.br

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Um sonho de blog


Um sonho de blog                    

Também tenho um blog igual à cubana, mas nem de longe tão apreciado e causador de polêmicas. Até bem pouco tempo atrás desejava muito que essa senhora, obtivesse permissão para sair de sua fechada ilha para vir ao Brasil, à frança aos Emirados árabes a qualquer lugar que ele quisesse e fosse solicitada.
Afinal de contas a nossa Lucélia (escrava Isaura) Santos.Entra e sai de Cuba e da China a hora que bem quer e ainda tem que fazer malabarismos para escapar de propostas indecorosas e assédios vindos de autoridades, destas duas “respeitáveis ditaduras”. Aliás, o cabelão dela(Yoani Sánches) lembra a Lucélia na época da novela.
Pra ser bem sincero, não tinha me ocorrido que ela pudesse estar a serviço dos interesses yankees, imaginei apenas que a mulher estava querendo se expressar, assim como eu aqui com meu modesto blog.
De repente vejo aquele bando de deslumbrados, anacrônicos radicais de esquerda querendo o escalpo da cubana cabeluda de um lado e; do outro essa nossa imprensa vendida e fascista, travestida de neoliberal. Aproveitando o episódio para jogar ainda mais terra na cova do marxismo, fiquei sem saber quem fazia maior papel de ridículo nesta disputa de egos patológicos e perigosas. Precisamos internar mais gente, além dos nóias das cracolandias.
A TV estava ligada e eu deitado (o psiquiatra já me disse que eu não faça isso, pois o som do aparelho acaba interferindo no meu estado de repouso e leva-me a pesadelos), fui adormecendo sendo levado a uma espécie de sonho, desejo/delírio:
Descia eu num aeroporto em algum país estranho e era saudado, felicitado por um pequeno grupo.
 Num momento seguinte na saída do mesmo aeroporto me torno vítima de insultos, manifestações e ameaças de radicais fundamentalistas que não identifico bem de onde, talvez: evangélicos, talibãs, opus dei, inquisição espanhola, mórmons, pentecostais, TFP, skin-heads, ruralistas estavam todos lá para me apedrejar como se eu fosse uma adultera no Afeganistão.  
Com faixas e cartazes em língua estrangeira, mas que o sonho me revelava os significados: Imoral, blasfemador, infiel, profano, sujo herege.
Passava por tudo isso somente por escrever um blog que tanto se importa e dá espaço para assuntos relacionados a peitos, paus, bundas e bucetas tive uma crise de apnéia que de abrupto acordou-me desse pesadelo, quando olhei para aTv lá estava ela Yoani Sánches com seu cabelão tão parecido ao da nossa eterna escrava Isaura de alguns anos atrás.

Pedrão Guimarães.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

BENTO RATZINGER XVI




Bento Ratzinger XVI      

Quando vi aquela carona, em abril de 2005, senti um repentino frio na espinha e um certo medo, de algo que me dizia que “coisas” aconteceriam.

Quando vi aquela carona, lembrei da doce Alemanha da década de 30, garotos brincando tão perto daquelas muralhas cercadas de arames farpado, fazendo troca-troca tão perto daquelas muralhas revestidas de arames farpado. Será que sabiam o que acontecia ali dentro daquelas cercanias?

Um desses meninos tenho certeza, era: Joseph Ratzinger (Bento XVI) garoto maroto de olhar vivaz e intenções serelepes. Cresceu dividido entre ser engenheiro ou padre, optou pela segunda. Nunca esqueceu brincadeirinhas gostosas de infância e a disposição ao amor, responsável pelo pescocinho que ficou até afundado nesta anatomia forte, envolvente surpreendente.

Com a facilidade com as “línguas” prosperou dentro do partido Nazista e do catolicismo tradicional, pois religião que é religião não tem que aceitar: Mulher liberada, mãe solteira, separad@s, viados, sapas, drogados e tarados. O sexo foi feito só para procriação até os mulçumanos do Taliban concordam com isso. Prazer enfraquece a moral e a alma.

Quando vi aquela carona. tive a certeza de que era a pessoa certa para ir até a África negra exigir o não uso de camisinha, pois o HIV não é problema para quem é monogâmico e faz sexo com decência, homossexuais não precisam ser queimados pois serão amados desde que não façam sexo(homossexual).

Quando vi aquela carona, pela primeira vez. Creio que era abril de 2005, cochilava à tarde com a TV ligada e tive o prazer de ver/ouvir o anúncio do novo pontífice através de Adriane Galisteu. Algo emblemático e significativo.

Quando vi aquela carona, me indaguei sobre possíveis orgias sacrossantas, genuflexórios, alcovitados entre móveis de madeira de lei em sacristias, cheirando a parafina e incensários ,uma entrega monástica que de tão abnegada, crédula devotada aos mais profanos jogos de kama sutras e kundalines, consegue elaboração e santidade angelical, como talvez só os primeiros anjos conseguissem antes mesmo que os pecados fossem inventados.

Vá em paz e com Deus. Bento XVI, sua função e importância já se cumpriram, saúde e tranqüilidade! Só não se esqueças daqueles momentos na doce Alemanha da década de 30, donde de tanto amor o jovem Joseph Ratzinger ficou até com o pescoço afundado.



Gervásio Pústula

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

DESTARRACHA    
 
POR QUE ENTÃO NÃO FALAR SOBRE ELA O SIMBOLO MAIOR DAQUILO QUE MAIS DEVE SER ESCONDIDO!
 REVELADO COMO GRANDE AQUISIÇÃO OU PAGO COMO SIGNO DE VULGARIDADE SENDO CAPAZ DE ABRIR UM PRECIPICIO ENTRE O QUE É MULHER PRA CASAR OU SÓ PRA FONICAR.
SIM É DA BUCETA QUE FALO ESSE PERTUBADOR ORGÃO TALHADO ENTRE TUAS COXAS, CAPAZ DE TANTA DOR E ARREBATAMENTO. DO PURPURO INCOMODO REGULAR AO DESCONFORTO DO SEU SECAR DE FLUXO. SINALIZANTE DE SUA PERDA DE PROCRIAÇÃO E CONSEQUENTEMENTE DE UMA FALTA ATRAÇÃO QUE TE ACOMPANHARAS PELO RESTO DA VIDA.
GRETA DE UM GRELO FALANTE QUE NÃO DÁ PAZ A SUA CABEÇA E PENSAMENTOS, UMA SENSAÇÃO ABAFADA DE QUE SUA EXISTÊNCIA SÓ ACONTECE PARA QUE REPRODUZAS!
O QUE REPRODUZ XOXÓTA?
 MAIS PRODUZ OU CONDUZ FORMAS, PENSAMENTOS E SITUAÇÕES.
 O VENTO JUDAICO-CRISTÃO SOPROU O BARRO GERANDO ESSA RACHADURA ANCESTRALMENTE CERCEADA PARA QUE O CONTROLE DESSA VOCAÇÃO MULTIPLICADORA NÃO SE TORNASSE SEU.
E MUITAS VEZES NEM SE APERCEBE DESSA INTENÇÃO PARA CONTIGO COM UM PINTO AS AVESSAS É CAPAZ DE ENCANTOS E ABOMINAÇÕES.
 EMBORA VIVA SOB O DOMÍNIO MASCULINO SÃO MAIS IMITADAS POR ELES DO QUE O CONTRÁRIO CURIOSO SE NÃO FOSSE TAMBÉM CRUEL.
A MOÇA GOSTOSA QUE FICOU FAMOSA DEPOIS DE TER SIDO QUASE LINXADA ESCULPIU O CORPO, CLAREOU A PELE E OS CABELOS, E POR ÚLTIMO FEZ UMA PLÁSTICA NOS LÁBIOS INFERIORES, DESEJO, QUE NÃO TENHA DIMINUÍDO SEU APETITE, MAS DE QUALQUER FORMA ELA NUNCA MAIS SERÁ A MESMA.
 O ANTIGO VALE COM AQUELA GRUTA QUENTE E ÚMIDA PODE TER DADO LUGAR A UM TÚNEL DO AMOR VITRIFICADO, CARO MAIS NÃO NECESSARIAMENTE RARO.
MINHA AMIGA DA PERFOMANCE FOI BANIDA DA INTERNET APÓS POSTAR SUA XOXÓTA LIVRE E DESPRETENSIOSAMENTE AGRESSIVA. NESTA REDE DE:
 GRETA ARTÍSTICA, GRUTA PROFANA, FISSURA ALTIVA COMO UM PAUZÃO DURO.
 A FAMOSA QUE OPEROU SEU XIBIL USOU TAMBÉM A INTERNET PARA DIVULGAR SUA PERIPÉCIA E NÃO FOI REPREENDIDA.
AQUELE QUERIDO AMIGO QUE VOLTOU A MORAR NO INTERIOR DO NORDESTE CONTOU-ME QUE NA CIDADEZINHA SUA EXISTE UM TIPO DE ANDA PELAS RUAS FALANDO SOZINHO QUE LEVA AS MULHERES AO PÂNICO COM SEU PEQUENO TEXTO: QUERO MANTEIGA VOU PASSAR NA BOLACHA E FURAR A BOLACHA. COISA QUE FAZ COM QUE ELAS (NÃO ENTENDI MUITO BEM A RAZÃO) CORRAM PARA DENTRO DE CASA QUANDO ESSE SENHOR PASSA PELA RUA.
COMO É ESSA COISA DE TER QUE SE MANTER SEMPRE DE PERNAS FECHADAS, NÃO PODER SENTAR EM QUALQUER LUGAR , NÃO PODER MIJAR EM QUALQUER LUGAR ?
ROTA PARA A LOUCURA?
 POR QUE GRANDE PARTE DAS MULHERES NÃO PRONUNCIAM A PALAVRA BUCETA EM PÚBLICO? PERGUNTA QUIÇA UM DIA ENCONTRE RESPOSTAS, NO MOMENTO SÓ DESEJO QUE BONS VENTOS AREJEM TODAS AS GRUTAS, GRETAS DONDE GRELOS FALANTES POSSAM DAR UM POUCO DE PAZ AS SUAS CABEÇAS E PENSAMENTOS. MANTENDO OS LÁBIOS INFERIORES SEMPRE SERENOS E ALERTA.
“XIBIL É UMA BALA QUE VEM LÁ DO NORTE
SABOR HORTELÃ E TUTI FRUTI QUE SE MEXE NA BOCA.
XIBIL TAMBÉM É PARAFUSO QUE SE DESTARACHA E JOGA EM QUEM GOSTA.
COMO SERPENTINA EM BAILE DE CARNAVAL.
DESTARRACHA A RACHA, DESTARRACHE A RACHA DESTARRACHA A RACHA”.
 
POR QUE NUM ESTADO ONDE O DOCE DA BALA XIBIL SEJA MAIS CHUPADO EU ACREDITO QUE OS HOMENS POSSAM SE TORNAR MENOS AGRESSIVOS.
 
 
 
 
  PEDRÃO GUIMARÃES
 
 
 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012


NA ORTOPEDIA

       ME ENCONTRAVA LÁ COM AQUELA SENSAÇÃO DE IMPOTÊNCIA PERANTE MEU FLAGELO. AS DORES REALMENTE DIMINUÍRAM, MAS O EXCESSO DE PODER QUE A MEDICINA TE IMPÕE É ALGO QUE NÃO COMPREENDO MUITO BEM SE ACEITO. SÓ ME RESTANDO RESIGNAÇÃO.
       MÉDICOS COM PERFIS ACÉTICOS, BURGUESES, COM SUA FRIEZA ELEGANTE E NÃO MENOS FRÍVOLA, ENFERMEIR@S COM OLHOS TREINADOS E CURIOSOS DE ALGO A MAIS QUE POSSA SER MOSTRADO / REVELADO.
       EU ALI PARA RETIRAR O ÚNICO DOS PARAFUSOS QUE NÃO PERMANECERA NO MEU TORNOZELO DOS OITO INTRODUZIDOS. SOU REFÉM DAQUELE LUGAR E DAQUELAS PESSOAS, NÃO SEI AINDA QUANTAS HORAS, RESPIRO FUNDO, TENTO ACALMAR MINHA ANSIEDADE-CORAÇÃO PARA SOFRER O MENOS POSSÍVEL. TENHO CERTEZA QUE VOU SOBREVIVER A MAIS UM DOS PERCALÇOS QUE A DEUSA DA CASUALIDADE NOS PROPICIA.
       TENHO UM LIVRO NA BOLSA, NÃO TENHO PACIÊNCIA PARA LER E NEM A MÍNIMA VONTADE. QUERO SÓ QUE AQUILO TUDO ACABE O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL, SINTO SAUDADES DA LIBERDADE DE RIR EM UM LUGAR QUALQUER RODEADO DOS MEUS AMIGOS BOÊMIOS, PUTOS, INTELECTUAIS NOTÍVAGOS E MINHAS COLEGAS “TRABALHADEIRAS”. OPRIMIDO ENTRE PAREDES QUE ASSUSTAM E ME IMOBILIZAM, SOU CÁRCERE DE MEU PRÓPRIO INFORTÚNIO, MAS ANTES DE ME TORNAR UM JUDEU GENIAL DE PRAGA, UMA BARATA ASQUEROSA, UMA UCRANIANA PERNAMBUCANA; SOU SALVO PELA LOUCURA TROPICALISTA/SERIEDADE ANTROPOFÁGICA DE JANETE. WHO IS JANETE?
       ESSE SER ESTAVA DO MEU LADO O TEMPO TODO, TAMBÉM ESPERANDO PELA HORA DE SUA PEQUENA CIRURGIA. PERGUNTOU MEU NOME E O QUÊ EU IRIA FAZER. MULHER DE ROSTO FORTE, EXPRESSIVO, MESTIÇA DE ÍNDIO, DE TESTA FRANZIDA, DESEJOS INCONTROLÁVEIS (LOGICAMENTE REPRESADOS) E COM AQUELA FOME DE QUEM JÁ SENTIU A FALTA DE “MISTURA” NA MESA NA HORA DO ALMOÇO OU DA JANTA.
       JANETE CONTOU-ME DO BAIRRO ONDE MORA NO EXTREMO DA ZONA LESTE. INDIGNA-SE COM AS MENINAS TÃO JOVENS E JÁ MÃES SOLTEIRAS DE ASSALTANTES E TRAFICANTES. EMBORA SEU DISCURSO POSSA PARECER MORALISTA; TEM DESPREZO PELA POLÍCIA E AFIRMA QUE A CULPA DAS ARMAS ESTAREM NAS MÃOS DAS CRIANÇAS É DA CORPORAÇÃO, E  QUE EM UMA REUNIÃO DA ASSOCIAÇÃO DE BAIRRO CHEGOU A SER PRESA POR DESACATO A AUTORIDADE QUANDO FALOU ISSO NA CARA DE UM SARGENTO.
       NÃO ME CONTROLEI E COMECEI A RIR DIANTE DAQUELA FIGURA TÃO FORTE EM MANANCIAL DE AUTENTICIDADE, FOMOS FICANDO PRÓXIMOS. ELA CONTINUOU SUA FALA. AGORA ELOGIAVA O LULA DIZENDO QUE NUNCA TINHA ANDADO DE AVIÃO, E HOJE VAI PARA A BAHIA E PARAÍBA VER SEUS PARENTES PELO MENOS UMA VEZ POR ANO.
 O PÉ QUEBRADO INCLUSIVE FOI UMA QUEDA NUMA CACHOEIRA LÁ NO INTERIOR DA BAHIA.
-SÓ PODE SÊ OLHO GORDO, DESSA GENTE QUE ME ODEIA!
CONCORDEI COM ELA DIZENDO QUE O MEU CASO TAMBÉM DEVE SER ALGO PARECIDO (COMEÇAMOS A GARGALHAR NO CORREDOR DA ORTOPEDIA).
       UM GESTO TÃO SIMPLES COMO ESSE FOI UMA ESPÉCIE DE LIBERTAÇÃO, UM EXORCISMO DE TODA A DOR E RESTRIÇÃO QUE PASSEI NOS ÚLTIMOS QUATRO MESES.
        JANETE ENTÃO ME CONTOU QUE EMBORA ESTEJA COM UMA MECHA DE CABELO BRANCO NA TESTA, AINDA É MUITO SOLICITADA PELOS HOMENS; MAS JÁ É AVÓ E QUE SENDO ASSIM NÃO DÁ PRA FICAR COM “MUITO RELAXO” COM O HOMEM POR AÍ.
 MAS TEM UMA AMIGA QUE ARRUMOU UM COROA DE 60 ANOS LÁ NA PARAÍBA LINDO E COM "PAUDURESSENCIA" DE MENINO GAROTÃO DE 20, ESTAVA APAIXONADA.
       PEGANDO AVIÃO DIRETO PRA LÁ, PACOTES AÉREOS BARATINHOS, PARCELADOS PRA NAMORAR O SEU COROA GOSTOSO. 
       A ÚNICA COISA CHATA DO AVIÃO SÃO AQUELAS PESSOAS QUE OLHAM PRA GENTE COM DESPREZO, MAS NINGUÉM PODE FALAR NADA. ELAS NUNCA TIVERAM QUE DAR UNS TAPAS EM ALGUÉM DENTRO DO AVIÃO E NEM LEVAM FRANGO ASSADO COM FAROFA.
       POR QUE AS COMPANIAS NÃO DEIXAM! 
       POR ÚLTIMO ANTES QUE NOS SEPARASSEM PARA NOSSOS PROCEDIMENTOS MÉDICOS, CONTOU-ME:
EU E MINHA AMIGA FOMOS A PARAÍBA, NUM VOO DESSES DE MADRUGADA, ELA LIGOU PRO SEU NAMORADO. ATENDEU UMA ZINHA. DIZENDO QUE ERA SUA ATUAL MULHER, E QUE ELA SE CONFORMASSE COM A CONDIÇÃO DE LIXO VELHO JOGADO FORA.
       PRA PIORAR, A TIPA AINDA MANDOU PRA MINHA AMIGA, FOTOS DE CELULAR DAS PARTES INTIMAS DELA E DO COROA GOSTOSO DE 60 ANOS, FAZENDO SAFADEZAS.
       FICAMOS POSSUÍDAS DE RAIVA, QUANDO DESCEMOS NA PARAÍBA CONTRATAMOS UM CARA PRA DAR UMA SURRA NO CASAL, O CARA APAVOROU COM OS DOIS. AGORA ESTAMOS EVITANDO IR PRA LÁ POR UM CERTO TEMPO. MAS! AS CACHOEIRAS DA BAHIA CONTINUAM LINDAS.

PEDRÃO GUIMARÃES

sexta-feira, 31 de agosto de 2012


Te perdoarei...    (Plagiando - Mil perdões do Chico Buarque)                          

O homem é uma pintura em preto e branco.
A mulher traz um colorido explosivo de loucura em seus traços.
Pelo menos aqui nos ocidentes, onde é dela a função do mimo e beleza.
Sedução pode ter preço alto, perda do controle em si mesmo.
Tanto prazer traz culpa, vazio, necessidade de preencher suas grutas com um novo ser.
Residente como maior força e fra(n)queza nas deusas.
Ele com todo seu tom cinza passa a procurar lugares etílicos e idílios com outr@s que não o perpetuem.
Tomado de sua tristeza ancestral, do medo que lhe torna empreendedor, violento, calado, circunspeto.
 Se faz capaz de alegrar tanto os que lhe rodeiam na turba de orgias e, incapaz de um riso afetuoso ou espontâneo entre os que prosseguem seu legado.
Vivendo uma melancolia silenciosa e asfixiante impossibilitada de ser gritada ou chorada entalada, encalacrada, na garganta.
Como resolver o convívio destes? Criados desde o ínicio tão distantes para mais tarde definirem uma fase adulta de votos e comunhão.
Ela continua ligando pra onde ele perambula, na busca de um gole de alegria e autenticidade. Se obrigando a aprender a mentir, quando se deita em leitos estranhos numa busca de menino curioso.
Jurou a si mesmo nunca mais levantar a mão, mesmo não entendendo o colorido das oscilações e acessos. Coisa multicor da essência fêmea, de muito falar, o chorar, o riso, a observação silenciosa especulativa, a vontade de morrer e viver concomitante o sangue corrente mensal.
Seguem perdoando-se cada qual a seu modo e por seu motivo próprio. Não foi esse o maior ensinamento do Cristo? Perdoar! Mesmo que a dor suplante sua capacidade em ossos, carnes e músculos?
Para assim quem sabe um dia seus rebentos consigam viver esse amor sem tantos perdões.

Pedro Guimarães

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

     Folha de outono

Ainda me lembro quando a conheci. Nos vimos nos primeiros cultos que meu pai nos levou, quando nos mudamos para São Paulo. A vida foi bem dura naquele momento de adaptação, tínhamos vindo do interior do Rio, a gente vivia em um pequeno lugar perto do Rio Paraíba entre a cidade e a zona rural, trabalhávamos muito numa modesta roça de mandioca e noutra de banana, papai também tinha uma velha carroça onde fazia mudanças e transporte de mercadorias, coisa que ajudava no orçamento familiar.

Tanto meu pai, minha mãe e nós os cinco filhos, trabalhávamos muito nas roças ou ajudando a carregar e descarregar aquela carroça que era velha, mas, tinha o cavalo mais garboso e bem cuidado da vizinhança. Alias nossa casa era reconhecidamente um lar, embora humilde, com disciplina e ordem que causavam admiração em toda a vizinhança.

Todo fim de tarde, após o banho nos reuníamos os sete para ler a bíblia e tocar nossa pequena orquestra familiar, papai regia e cantava, minha mãe com um banjo e os cinco meninos cada um com um instrumento de sopro, eu o mais velho com uma tuba, Matheus o segundo com um trombone, Lucas com a clarineta, Thiago com um trompete e Moises com um saxofone, podia-se ouvir de longe nossa sinfonia, sempre com musicas e cânticos de elevada religiosidade. 
Sim !Somos protestantes. Os vizinhos nos chamavam de: “Os crentinhos do sitio”, pois nosso sitio fazia divisa já com o primeiro bairro da cidade.

O apelido nos incomodava um pouco, principalmente na escola, mas a gente aprende a se acostumar até com aquilo mesmo que nos desconforta.

 Somos uma família de negros, que nunca se viu envolvida em bebedeira, arruaça ou macumba, alias papai nos ensinou a odiar essas coisas, vivíamos numa ilha um mundo próprio e particular, nossos parentes católicos ou de umbanda não nos visitavam muito, nos achavam esquisitos e talvez até fossemos, mas havia uma harmonia a partir de todas aquelas regras disciplinares e morais que nos rodeavam que era como um bálsamo anestesiante.
Meus pais pouco se falavam, mas nunca se desentendiam, pelo menos na nossa frente, tudo era consensual e espartanamente harmonioso. 

Aos finais de semana saíamos em missão peregrinadora, com nossa pequena orquestra pregando a bíblia mato adentro, pois as famílias da cidade não eram muito receptivas a nossa cruzada evangelizadora.

 Papai pregava, cantava e nós tocávamos, na maioria das vezes pra alguma família rural que nos recebia com muito apreço. Nunca soube onde meu pai aprendeu música, mas ensinou a nós todos, e que voz bonita e tão afinado ele tem!

 Da minha infância lembro mais de sua voz fazendo música do que falando. Falava mais pregando aos outros do que com sua própria família, nos também éramos doutrinados conforme ele se dirigia a outros, e assim fomos felizes. Então aconteceu o imprevisível.

A cidade haveria de construir um novo bairro, avançando sobre nossa terra, nos obrigando abrir mão de nosso sitio, quase enlouquecemos, o que faríamos?

 Foi aí que um pastor que visitava a região às vezes, convidou meu pai para ser caseiro e regente de coral numa grande igreja sua, em São Paulo, fomos tomados de dúvidas e medos, mas mesmo assim nosso pai decidiu que tudo fosse vendido, e seguimos em direção a vida nova, num lugar estranho, inóspito para gente tão pura e imaculada como nossa família.

Na cidade tudo se descortina intenso e hostil, viemos do interior, desabituados a multidões, calados, constrangidos, pudicos, exóticos não sei se por ser protestantes ou por sermos protestantes negros, algo não muito comum naquela época.

O tempo foi passando e as coisas foram se tornando menos estranhas, meu pai e minha mãe eram queridos e respeitados dentro da nossa comunidade, ícones de retidão e princípios cristãos, nós os meninos éramos chamados assim: Os meninos.

 Poucos eram entre os irmãos quem sabia nossos nomes, estudávamos a noite e como Office boy ganhava-se algum de dia, conseguimos não nos perder com todas as tentações que a cidade grande oferece.

Matheus aprendeu a trabalhar com madeira , hoje é marceneiro casou-se vive bem com sua mulher e filhos.
Lucas se apaixonou pelos carros hoje é dono de uma oficina mecânica, grande e bem equipada, casou-se vive bem com sua mulher e filhos.
Thiago com certo espírito mais aventureiro, estudou advocacia, hoje delegado de policia, casou-se vive bem com sua mulher e filhos.
Moises devotou-se ao esporte, conseguiu ser fisiculturista tornou-se treinador esportivo possui uma academia de ginástica num bairro nobre, casou-se vive bem com sua mulher e filhos.

Eu no entanto sou o único que não tive um percurso tão tranqüilo e assertivo quanto meus irmãos, mais inclinado à leitura primeiramente da bíblia, acabei estudando sociologia em faculdade católica, coisa que desde o inicio tornou-se um complicador para me acertar com os ruídos internos da minha alma e cabeça.

 Primeiro conflito:O ideário socialista reconhece no protestantismo um dos principais fomentos do comportamento egoísta do capitalismo, me colocando entre a cruz e a espada como ser sociólogo de esquerda continuando a ser protestante?

Segundo conflito: Como um intelectual negro no Brasil pode não ter tido nunca nenhum tipo de contato com a “macumba”? Considerada pelos mais radicais a única religião que os negros “esclarecidos” deveriam proferir.

Terceiro conflito: Casar com uma colega da sociologia, mulher critica, liberta sexualmente, independente quase dominadora ou com uma fiel da minha igreja?

Sou homem de valores cristãos rígidos e convictos, gosto disso, embora namore com o socialismo não vou me entregar a desfrutes e “relaxos”, admiro, entendo e concordo com a maioria das coisas propostas e expostas por intelectuais e artistas.

 Mas não me entregarei a indolência e excentricidades dos seus estilos de vida.  Assim então escolhi casar-me com alguém do mesmo culto religioso meu e de meus pais.

Como já disse nos vimos nos primeiros cultos que meu pai me levou quando mudamos para São Paulo, nunca mais a esqueci. Aquele rosto lindo de pele num tom moreno mais claro que o meu e grandes olhos verdes. Quem veio da roça naquele tempo não estava acostumado a ver gente preta de olhos claros. Talvez tenha me apaixonado por ela naquele momento, mas foram dez anos entre amizade, namoro, noivado até nos formarmos para poder casar.

Tamará era tão linda quanto amorosa, fui o primeiro homem seu, e ela quase a minha primeira. Sim já tinha tido mulher mais com respeito, carinho e benção nunca. Nossa lua de mel parecia interminável a cada dia a gente descobria novas formas de amar, e tantos prazeres íntimos que eu cheguei a pensa que poderia enlouquecer a qualquer momento.

 Tamará por sua vez se entregava ao culto em nossa igreja cada vez mais incondicional e apaixonada, sua devoção me tomava de volúpia e me excitava ainda mais, esperava sempre o momento em que na nossa intimidade poderíamos brincar e buscar mais possibilidades dentro de nosso sacro-sexo.

Não havia limites para nossas carnes: No fogão, na cama, no corredor, entre as plantas, em cadeiras que se quebravam, em qualquer chão do nosso ninho, com gritos e ranger de dentes que só se calavam após intermináveis banhos a dois. Única coisa capaz de nos relaxar pra gente então dormir.

O que mais eu poderia querer? Tinha um casamento abençoado, com uma mulher de respeito, religiosa e crédula e uma intimidade com o tradicional e também,com complementos maravilhosos onde as línguas percorriam de mamilos a anus sem nunca comentar-se nada a esse respeito.

Então fomos recompensados pela providencia divina, Tamará engravidou, éramos transbordantes de felicidade uma gravidez suave e tranqüila, vieram os trigêmeos, três meninos lindos e saudáveis.

Aí então que fui me dar conta das dificuldades, passei a dar aulas em três escolas. Tamará teve todo seu tempo ocupado no cuidado e no acostumar-se com os meninos. Indo trabalhar depois do primeiro ano de vida de nossos filhotes como professora de Inglês na escola de propriedade de D. Nair, conselheira de nossa igreja.

Nosso lar harmonioso e sereno tinha nossos filhos que cresciam em saúde e moralidade. Só eu e Tamará que nunca mais tivemos nossas liberdades e permissividades, a vida foi se tornando uma rotina pesada entre casa, escolas e igreja.

 Nesse momento então começou o lastimável, Tamará não respondia mais a minhas carícias passando a não querer mais dormir comigo, preferindo dormir no quarto dos meninos, com a justificativa de que mãe tem que ser devota e zelosa.

Enlouqueci! Não iria ficar me masturbando dentro de casa, nem muito menos levar uma mulher decente como a minha para um motel. Comecei a desenvolver pensamentos sujos quando olhava minhas alunas adolescentes, e confesso que se tivesse dado continuidade a este impulso teria tido com alguma delas.

Mas sou um homem cristão que tem controle sobre impulsos satânicos, acabando que me controlei.

Foi então que eu e Tamará fomos, nos acostumando a presença morna e insípida um do outro. Ela às vezes chorava sem motivo aparente, passou a tomar alguns calmantes receitados por um psiquiatra lá da nossa igreja eu hoje me satisfaço sozinho quando tomo longos banhos. Mantendo assim a austeridade de nossas vidas,  os meninos já estão com sete anos.

De algumas semanas pra cá estamos participando de estudos bíblicos, grupo que se reuni duas vezes por semana eu em um ela em outro, para movimentarmos nosso cotidiano sem torná-lo uma rotina insuportável, indicação de nosso pastor (Norte americano recém chegado).

Voltamos a nos sentir bem na companhia do outro, numa dessas noites Tâmara se vestiu linda, ia ao seu grupo de estudo via-se nela uma alegria que há muito eu não percebia “ordenou” então que eu descongelasse e temperasse salsichas para os meninos comerem, pois ela não teria tempo de cozinhar e que transferisse as roupas da máquina de lavar para o varal, saindo esfuziante.

Eu a obedeci com prontidão e destreza. Dei de comer aos meninos e fui logo pendurando as roupas da máquina no varal, foi aí que algo me estarreceu. No fundo da máquina a última peça.

 Uma calcinha que eu nunca tinha visto!

 Aquilo me intrigou de dúvidas e ressentimentos, fiquei remoendo pensamentos obscenos de infidelidade.

Quando Tamará voltou estava lívida e radiante, eu no meu descontrole quis saber tudo.

Eu: De quem é aquela calcinha, que eu nunca vi?

Tamará (cínica): Não sou a única mulher desta casa? Só pode ser minha então, não é meu filho?

Eu (Querendo espancá-la): Como !?!

Tâmara: Ganhei de um amigo.

Eu: Você teve coragem de emporcalhar a mim e os seus filhos? Você é uma puta (Nunca tinha dito palavrão na minha vida)!

Tamará: Mentira amor! Coloquei lá de propósito pra você voltar a ter interesse por mim. Resolveu! Voltou seu interesse.
Tá com ciumes... Que coisa linda.

Naquele momento senti um desejo louco e uma ereção latejante avancei sobre ela, rasguei suas roupas arrastei-a para o quarto e transamos como duas feras famintas, chegando até a assustar os meninos de tantos gritos e ruídos. De manhã saciados passei a observá-la nua na cama e me veio a cabeça a dúvida.

 Aquela calcinha poderia ter sido mesmo presente do pastor norte americano. Ele e Tamará ficam horas falando em inglês sem que ninguém os entenda depois dos cultos, ou até mesmo presente de Dona Nair, irmã, dona da escola onde ela leciona, que eu sempre desconfiei de seu solteirismo e de uma certa masculinidade nos seus gestos, também muito amigas e confidentes.

 Por fim acabei dormindo de exaustão e gozos até meio dia (coisa que ninguém nunca faz nesta casa), num determinado momento da manhã fui tomado de um sono profundo e agradável e sonhei com um campo provavelmente no interior dos Estados Unidos, onde ouvia o som de um saxofone bem jocoso, safado e via várias folhas de outono deslizando pelo ar e caindo no solo, a última delas era no entanto aquela calcinha dançando ao vento como uma folha de outono até repousar ao chão.

 Acordei sobressaltado, respirei fundo, Tamará esta nua de lado lhe abraço, encocho-lhe por trás e voltamos a dormir tranqüilos.

                                 PEDRO GUIMARÃES