sexta-feira, 20 de maio de 2011

CONSPIRAÇÃO RONALD


DENTRO DA CULTURA BRASILEIRA, OS MAIORES SÍMBOLOS DE SUCESSO E MASCULINIDADE SÃO INCONTESTAVELMENTE OS JOGADORES DE FUTEBOL QUE CHEGAM A GLÓRIA.
 NOSSOS MONSTROS SAGRADOS, SEMIDEUSES ENTIDADES VIVAS.
        E ESTES SENHORES ME ASSUSTAM COM SEUS EQUÍVOCOS, QUANDO FAZEM DETERMINADAS COLOCAÇÕES INFELIZES NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, COM SEUS CASAMENTOS(OBRIGATORIAMENTE)  COM SUAS LOIRAS  E PRINCIPALMENTE QUANDO NEGAM QUE SÃO NEGROS.
         MAS QUANDO FLAGRADOS COM TRAVONAS GOSTOSAS; AÍ SIM OS RESPEITO SENDO OBRIGADO ADMITIR QUE ENTENDO ALGO DE "HUMANO" HABITANDO O INTERIOR DESTAS PESSOAS.
PASSO ASSIM A VÊ-LOS COM MELHORES OLHOS.
           OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO PLANEJARAM ORQUESTRAR MAIS UMA ENCENAÇÃO PERVERSO-SENSACIONALISTA NO ESTILO CASO ISABELA, TENTANDO DEMONIZAR O JOGADOR OU AS TRAVESTIS, MAS O QUE NINGUÉM FALA(E TODOS SABEM).
          É ! QUE NESTES CASOS O QUE DEVE SER JULGADO. É A POSTURA DA PESSOA MASCULINA, QUE SOB A ÉGIDE PATRIMONIAL DO PAU DURO.  FAZ COM QUE O MACHO SE VEJA NO DIREITO "E PRINCIPALMENTE NO DEVER DE EXPERIMENTAR QUALQUER DAS DELÍCIAS QUE ESTA VIDA PROPICIE", SEM QUE ISSO ARRANHE O VERNIZ DA SUA MASCULINIDADE E NEM SIGNIFIQUE NENHUM TIPO DE DESONRA QUE O TORNE MENOS HOMEM. 
        O CURIOSO É QUE A TRAVESTI ADMITIU NÃO TER ACREDITADO DE QUE SE TRATAVA DE RONALDO O FENÓMENO ,QUANDO ENTROU NO CARRO DELE, POR TE-LO ACHADO MUITO “BRANCO E CABELUDO”.
           O FALO CONTINUA SENDO O SÍMBOLO MAIS CULTUADO NA TERRA ATÉ OS DIAS ATUAIS, SEJA PELA ADORAÇÃO DO SEU PRÓPRIO  OU PELA FALTA DO ALHEIO.
          TRAVESTIS QUANDO NÃO OPERADAS, SÃO TAMBÉM CARINHOSAMENTE CONHECIDAS (NO MEIO DOS HOMENS QUE LHES APRECIAM )COMO "MULHER INTEIRA" UMA ESPÉCIE ASSIM DE HERMAFRODITAS VORAZES DOS TEMPOS ATUAIS.
           

             "QUEM GOSTA DE HOMEM É VIADO; MULHER GOSTA  É DE DINHEIRO" (FRASE DE PARA CHOQUE DE CAMINHÃO)


                  PEDRO GUIMARÃES

terça-feira, 3 de maio de 2011

Fugi do MST


    Ele também é um daqueles amigos que não se deve confiar muito na sua fala. Mas quando me contou sobre essa entrevista com  essa  senhora sacerdotisa na arte do erotismo, fiquei bastante curioso.
    Trabalhando como jornalista, recebeu a encomenda de entrevistar tal senhora, moradora de um daqueles prédios sobre galerias comerciais ali da região da praça da república. E o que deveria ser um simples jogo de perguntas  respostas foi se compondo num caleidoscópio de expectativas e anseios, donde nosso repórter, quase foi lançado num universo paralelo sem volta.
    Ela contava que nascera no interior do Paraná e que com menos de 10 anos  passou a viver entre as plantações de soja e trigo do Mato grosso do sul fronteira de seu estado de origem.
     Desde muito menina habituou-se ao trabalho pesado nos roçados, com mãos calejados no manuseio de foices e enxadas, com vestimenta opaca e suja, como a vaidade de uma mulher era quase extirpada; porém sempre que chegava em casa após o trabalho-flagelo, se lavava e arrumava-se ficando em pé de igualdade na concorrência, com qualquer outra menina-moça, até mesmo daquelas que nunca tinham pegado na bóia-fria.
     Tirava sua cutícula, limpava a fuligem das unhas e sempre usava uma base transparente, camada protetora de maior praticidade, para continuar no serviço que cumpria.
    Já tinha por volta de 15 anos e era de extrema tranqüilidade hormonal, a volúpia tardava em despertar naquele tão belo e sofrido corpo, pois nestes ambientes de trabalho (que só quem já viveu sabe), é comum os homens exibirem seus membros, gabarem seus feitos ginecológicos e com certa constância até investirem sobre as mulheres exigindo-lhes favores sexuais, sem que estas queiram e sem, que ninguém veja esses procedimentos como violência ou abuso é apenas um curso natural das coisas.
     Sueli, era esse seu nome, também achava que isso tudo era normal, sem saber do verdadeiro poder de sua força (física) surpreendeu-se no dia em que um dos seus companheiros da bóia-fria, percebendo estar distante dos outros no meio da plantação com a moça sacou de seu membro duro e avançou sobre ela, que de prontidão conseguiu se defender com braços e pernas fortes, e ameaçadoras  e tentou lhe castrar coma a forca de decepar trigo.
      Ela própria não percebera o que havia ocorrido. O rapaz fugiu só que seu ataque fazia parte de uma aposta, sendo obrigado a prestar contas  a todos os outros homens que souberam do seu insucesso, e que Sueli, aprisionava dentro de si uma espécie de cão, que a fortalecia em situações extremas emprestando- lhe a força de homem.
      Aquela situação de quase estupro suscitou na moça ao invés de repulsa; curiosidade por homem.     A eminência de ser deflorada lhe mostrou a possibilidade de sexo com homens e criou-se ali certo encanto e curiosidade, na parte dela que até então se apresentava sem libido. Só que havia um preço, em trabalhar e viver em ambiente tão masculino, os homens falam muito e de tudo entre si, ou seja sua fama de "fortona", já havia se espalhado; e por mais que esta esmerava em cuidados estéticos, e numa languidez convidativa, algo havia se rompido entre os desejos masculinos e ela. Já tinha quase 18 anos e ainda não tinha conhecido o prazer com homem, e isso porque vivia na maior parte do tempo no meio deles.
      Algo precisava mudar e ela sentiu isso, como as crianças nas escolas se agitam cinco minutos antes da tempestade chegar.                Foi aí que tomou uma iniciativa radical. Era de todos sabido que na praça da matriz havia um hotel, onde viajantes de muitas cidades grandes ali pernoitavam, sempre dispostos a degustar a comida local, impudicamente aproveitavam do cardápio sexual da cidadezinha. Transavam meninas-adolescentes, bichinhas, mulheres casadas enfim quem os procurasse entre os fundos da matriz e do hotel depois de certa hora.        Sueli não via alternativa e foi isso que fez, se envolveu com uma hordazinha de adolescentes sedentos de mucosas forasteiras e ali conseguiu sua iniciação, amor viria depois, aliás, amor nunca lhe foi ausente amada por toda a família e amigos tinha a carência maior da carne do que do espírito. O viajante escolhido um fornecedor de remédios preencheu-lhe todos os sentidos, homem maduro que já beirava os 40, grato da dádiva de possuir tal corpo tão jovem, fez o máximo de si para  que a moça pudesse saber sentir e poder ser mulher.
        Esse fato na vida da moça lhe aturdiu, algo havia ficado pra trás, começou a ser tomada por uma vontade imensa de ir embora, não sabia nem pra onde, mas precisa ir, uma fatídica coincidência  eclode as
 lavouras mecanizam-se e os bóias- frias começam a ser demitidos, esta pequena tragédia era o que Sueli precisava, arrumou suas coisas, despediu-se da família terminou a oitava no supletivo noturno e foi em direção a cidade grande, com o endereço de uma pensão onde uma prima morava.        Havia chegado em uma cidade média do interior de São Paulo, e aquilo para ela já era algo grande e diferente de tudo, trabalhadeira como sempre começou na faxina de casas burguesas, até sua prima conseguir levá-la para o supermercado onde eram repositoras de estoque, viviam um momento próspero conseguiram sair da pensão e alugar uma casinha de fundos, Sueli e a prima viviam um companheirismo quase sáfico, aos fins de semana iam para bailes dançar forró e música sertaneja, voltavam com homens namoravam, amavam e transavam.     Até que novamente aconteceu, num desses sábados a prima de Sueli depois de recusar uma cantada, começa a ser espancada por um moço bonito da cidade, ela tudo vê a distancia corre em socorro da prima e com uma cadeira tenta esmagar a cabeça do moço, que é levado para o hospital com traumatismo craniano.    Nem mesmo a própria prima que era vítima, do algoz foi solidária com Sueli que indignada teve que foragir-se, Decidiu que iria começar sua vida em São Paulo.       E assim nossa heroína aporta na cinza e fétida São Paulo, Na pensão conhece trabalhadoras putinhas, fica encantada com tantos badulaques, aromas e cores. Mas se resigna, e vai trabalhar em supermercado.       Parecia que havia se encontrado, a cidade é grande com todo tipo de gente, ninguém fala do outro, por que ninguém se observa muito, se é pra beber se bebe, se é pra transar se transa, amor nunca lhe fez muita falta; sempre foi muito amada onde convive, parecia que sua vida tinha atingido o ponto ápice de harmonia e tranqüilidade, até uma tarde dentro supermercado, após um anúncio do governo dizendo: Que os preços estavam congelados e que a população denunciasse remarcadores de preço, pois isso, era crime contra a economia popular . Sueli ao ver um funcionário remarcando os preços ,sem raciocínio ou titubeio espancou o moço na frente de todo mundo.     Demitida e presa ao que tudo indicava ficaria por ali pelo resto dos seus dias. Mas o inusitado veio alguém providenciou que a moça fosse liberta, em menos de uma semana foi solta, na saída da delegacia uma senhora lhe aborda.

Senhora: Você não me conhece, mas fique sabendo que fiz de tudo para te soltar.
Sueli: Muito obrigada, mais fez por que quis, não te pedi nada.
Senhora: Não seja mal agradecida menina.
Sueli: Desculpa ainda estou muito abalada.
Senhora:Vamos para minha casa, eu quero te fazer uma proposta de emprego.  
   Ela era madame Suzane,a quem eu devo tudo que sou e tenho hoje, fiquei assustada, o apartamento dela era um daqueles gigantescos da Av São Luis, ela então abriu o jogo. Disse que já havia arrumado a vida de muitas moças, que trabalhando para ela como garotas de programa casaram-se com homens riquíssimos, desde que obedecessem suas regras e seus conselhos.  
   Disse para ela que não era puta e que muito menos tinha vocação para o negócio.    
Madame Suzane então chegou no extremo de sua persuasão: Hoje é crescente a influência norte –americana entre os ricos de São Paulo, aquele modelo de putaria francesa com a menina de baby-doll e console, não os excita mais. Na América é cada vez mais comum um tipo de prostituta que não temos aqui. Espancadoras de homem. (Eu achei não ter ouvido direito) É isso mesmo que você ouviu,
Eu estava no mercado e vi o que você fez com o rapaz , quero contratar seus serviços, como pioneira no “spanking”, te asseguro que em cinco anos você vai estar muito bem de grana.     E isso é tudo topei, sou conhecida como Dona Sueli a implacável, minha agenda esta disponível por telefone e internet, como sou rainha ninguém me penetra, de vez em quando autorizo um bem submisso para fazer esse serviço.     
 Já espanquei vários banqueiros, juízes, empresários, industriais,policiais, pastores, engenheiros, médicos toda a gama de homens bem sucedidos e acima de qualquer suspeita de nossa sociedade. Gostaria de expandir meus serviços para setores mais populares, mais infelizmente o preço do meu atendimento é caro.    
Presto uma espécie assim de terapia para essas pessoas que confessam procurar meus serviços por não poderem permitir se espancar por suas esposas, subjugados ou empregados, que Isso prejudicaria vossa autoridade. Dessa forma aqui estou para oferecer este serviço, agradeço muito madame Suzane, todas nós que passamos por suas mãos estamos muito bem. Eu tenho casas de aluguel no interior de São Paulo e do Paraná.  
   Quando o cliente chega e bate na minha porta se me chamar de Dona Sueli, voluntariamente sou mais piedosa, agora se chegar me chamando de Sueli será recebido com tapa na cara para aprender a exercitar sua humildade, e depois de toda a surra ainda terá que lavar a minha louça antes de ir embora.      
O meu amigo repórter nessa hora sentiu um fogo estranho lhe consumir um lado do corpo e do rosto teve vontade de insistir na falta de decoro e bradar: Sueliii...     E acabou fazendo: Sueli...
Dona Sueli: (com o dedo indicador em riste, respondeu veementemente) Dona meu filho.Dona, Dona Sueli!  
               


Pedro Guimarães  

quarta-feira, 27 de abril de 2011

MONSTRO

      O amor é um monstro, que segue solto como o dragão. Capaz de curar feridas de traumas antigos que, persistem sem cobrar as curas que processa.                                                                                                       
 Viver tem perigos deliciosamente literais e libertos. E essa liberdade nos aprisiona em nós mesmos. Quantas vezes somos aquilo que queremos? Tudo que sofre se transforma.
  E a beleza é de um monstro santificado. Em um campo onde a experiência é finita.
   Tão mais difícil é amar! Não o amor das novelas.Asséptico, facilitado vitrinoso. Descomplicado para fácil entendimento.
    Nenhum entendimento é simples!  Tudo que desmancha no ar  pode  não ser necessariamente sólido. Quem ama não  escolhe! Quem compra escolhe. E muitas vezes, não o melhor. Qual é o seu preço?
   Você ou tu, nesse grande mercado? Teu monstro consome o interior de suas esquizofrenias que já foram belezas. Nossas tristezas são risíveis sofrimentos invisíveis que agregam  felicidades  tortas. Conversando com o monstro do amor, afortunadas e absolutas, insistem determinando muitos de nossos passos.
     Nunca te tive e talvez por isso tenha te amado tanto.
    Nas areias encalacradas, nas paredes de uma rodoviária de um lugar do cerrado, percebi o calor fungar minhas narinas,  como na saída de um dragão, então desejei  tudo como um monstro destruidor e imperceptivelmente me monstrifiquei.
               
                     Pedrão Guimarães     

ESCOLAS E CEMITÉRIOS

 
 
Como não falar sobre o massacre em realengo? Um infeliz com tendências delirante- psicopáticas entra atirando dentro de uma escola municipal, doze mortos quase todas meninas. Wellington era este seu nome (também da capital da Nova Zelândia) até onde entendi mais um entre tantos brasileiros com um desejo imenso e equívoco protestante de ser norte americano, tanto que, pois em prática a atitude mais abjecta que um norte americano pode fazer com seus semelhantes.
O ministro da educação, em visita a referida escola afirma que a escola aberta, aos pais, alunos, ex-alunos e vizinhança é a condição maior de segurança para a comunidade. Concordo em grau, género e número. O que me assusta é uma sociedade (a nossa) que se gaba de manter o maior número possível de pessoas dentro das escolas sem que essas sejam capazes de transformar suas vidas, ou mesmo elevá-las a condição de cidadãos. No nosso país hoje, as pessoas se orgulham de poder manter seus filhos em escolas particulares isso mostra que perdemos a preocupação com a população como um todo; e o abismo distanciador, entre os que podem e os que não podem pagar, vai gerar cada vez mais miséria e violência.
 Dentro de nossas escolas perdemos a disputa na desleal concorrência entre professores, acuados, desestimulados e equivocados com gostosonas e bonitões, das televisões, que são hoje as grandes referências de heróis para nossas crianças e adolescentes.
O jovem se espelha e almeja a vida fácil dos endinheirados craques grosseiros espancadores de mulheres, clientes de travestis e, das modelo-apresentadoras-bailarinas, que não estudaram e nem sequer citam a escola como caminho para alcançarem as capas das revistas masculinas. Rodeados de luxo e ostentação diferentemente da rotina de professores, desvalorizados , adoecidos e com uma grande sensação de falta de perspectiva de mudança ou melhoria no cenário que os circundam, uma falência geral e generalizada .
Faliu: o estado, a família, as religiões, utopias políticas e principalmente a educação. Talvez fosse o caso começar do nada buscando outros padrões de sociedade e conduta. Muitos dos nossos governantes e poderosos foram filhos de professores, e isso parece não ter significado nada.
Acredito que um estilo novo de heróis urge surgir. Como aquela mulher de Ferraz de Vasconcelos, que indignada com a execução de um jovem ladrão na sua frente liga para o 190, e em tempo real diz não ser obrigada assistir tanta violência, no momento em que rezava no túmulo do seu pai, bate boca com um dos policiais assassinos e, exige que não deva ser morta por isso, naquele momento de nobre impulso, teve sua vida preservada (até quando?).
 Qualquer professor (a) poderia ter tido aquela coragem, dada o constrangimento e indignação no qual somos constantemente exposto e; também pelo aprendizado de convívio com o inusitado e imponderável constante em nossas rotinas (logo após a tragédia do Rio descobrimos que a mulher de Ferraz de Vasconcelos é professora).
Dessa forma então como cidadão e fiel das coisas nobres venho por meio deste documento clamar:
 Chega das explosões do cinema de ação, de noticiários sensacionalistas que tratam a desgraça alheia como espetáculo, da falta de respeito e de delicadeza generalizadas pelo individualismo, continuo alimentando meu “ódio” somente contra os maus-tratos.
 Pedro Guimarães

segunda-feira, 28 de março de 2011

O mal da vaca louca (O nanã de taninha).

Já havia algum tempo que me encontrava preocupado com Taninha, por onde andaria? Nunca havíamos ficado tanto tempo sem nos falar, nestes quase l6 anos que nos conhecemos. Sempre fomos muito presentes um na vida do outro. Fiquei mais tranqüilo quando encontrei a Rosana na rua.
A Rosana,agora anda com uma carteirinha do psiquiatra, isto faz que ela não precise pagar condução e nem tenha que enfrentar filas. Fiquei feliz por ela, lembro dela em umas ondas de muita loucura, loucura patológica mesmo!
 Rosana então me deu a notícia. Taninha voltou a morar com a família no interior, só não conseguiu explicar se foi por excesso de piração ou por falta de trabalho, mas no papo rápido que eu ela tivemos uma coisa me fez rir muito, imaginem que a família da Taninha arrumou um noivo pra ela lá da cidade deles. Cheguei até a chorar de rir.
 O que estas famílias não fazem para tentar tapar o sol com a peneira? Imagina Taninha noiva? Eu hem?!? Não vou nem telefonar. O chato é que sinto sua falta, conheci poucas como ela.
A gente se conheceu em uma festa de uns filósofos, uma casa legal. Com muitas idéias transgressoras, música alta, bebida barata, banhos coletivos, tesão no ar, parecia que nos conhecíamos todos desde a mais tenra infância, buscando liberdades absolutas. Mil gentes.
Taninha e eu começamos a conversar intimidades tão profundas que o passo seguinte foi dançarmos certa música de uma outra banda de vanguarda, onde nos jogamos e rolamos um sobre o outro no chão simulando um sexo faminto e espiritual, a festa toda nos aplaudiu e pediu, mais. Não poderia começar de outro jeito uma amizade tão gostosa.
Eu acompanhei os anos de sua vida e fui testemunha do tanto que ela foi se transformando numa mulher libertária e sensível.
Sim, pois naquela época, ela ainda tinha muito forte o balé e as aulas de piano no corpo, uma postura assim de menina burguesa com todas as vicissitudes para se casar com um tipo engenheiro ou coisa parecida ,assegurando-lhe uma prole saudável e dominante.
 Mas algo a perturbava, eu percebia isso, queria mais para ela, e para o mundo. Ficamos algumas semanas sem nos ver, depois de tudo aquilo e quando nos vimos pela Segunda vez, ela feliz e afoita foi logo me contando do quanto estava absorvida com as lembranças da sua primeira transa.
Com treze anos, numa praia do litoral paulista.
 E que o cara tinha tido um “casinho” com o Cazuza na época, ela sequer tinha noção de quem era o Cazuza. Mas estar com um cara que transasse com mulher e com homem tranqüila e abertamente era algo que a excitava mais do que o próprio fato de estar perdendo a virgindade.
Admitia que ainda sofresse um pouco, com as deformações nos pés causadas pelas aulas de balé clássico, sua professora era Russa e exigia até a última gota de sangue das alunas, sentia-se feliz em dançar. Mais sabia que algo teria que mudar, que a dança na sua vida não poderia ser, somente aquele recreio de campo de concentração.
Ainda tomava remédios, quando nos conhecemos e pela primeira vez havia ido morar em outra cidade, o noivo não aceitou o relacionamento a distancia, e rompeu tudo. Isso a fazia sofrer, e os comprimidos davam-lhe um conforto que a maconha e a cocaína nunca conseguiram; aliás, ela nunca suportou nem maconha nem cocaína adorava os farmacológicos, dizia serem mais “gostosinhos” e que, haveria de chegar o dia em que todas as pessoas do mundo só usariam estes, não precisando mais existir nem traficante nem policial.
 E sonhava com este dia mais do que com qualquer vitória do Brasil em uma copa do mundo.
Eu particularmente nunca me agradei com remédios, mas sou obrigado admitir que eles a deixavam tão suave, que não tinha coragem de repreendê-la. E aquele seu estado de rir e chorar ao mesmo tempo de quando começamos a andar juntos, estava se tornando coisa do passado.
Havia também outra coisa que me divertia e me intrigava em nossa amizade: era como as pessoas quando nos conheciam entregavam-se a contar-nos coisas de sua intimidade mais profundas, o que às vezes nos assustava. Pois nunca sabíamos se era por simples inspiração de confiança ou; se por algum tipo de tara que a gente despertava nos outros.
E o tempo assim foi nos tornando cada vez mais amigos, ela em pouco tempo parou de tomar os remédios e passou a beber, já admitia que a música do suldeste asiática lhe fazia melhor do que a missa dos domingos. Começou a namorar um estudante de engenharia, um músico de orquestra sinfônica, um jogador de futebol mirim, um artista plástico que fazia suas obras com insetos embebidos no querosene e um professor de filosofia.
Numa destas noites onde nos encontramos para beber e conversar, ela pediu minha opinião muito importante (para ela), sobre uma grande dúvida. Sentia a necessidade de melhor conhecer a condição humana, nunca houvera transado com um trabalhador braçal, um negro ou um nordestino. E isso a fazia vazia e distante da realidade do país e do entendimento das coisas, e do sonho de poder um dia mudar o mundo para uma realidade mais justa e bonita. Indagando-me sobre o que eu pensava disso? Eu por minha vez lhe incentivei a buscar experiências e sentidos mais abrangentes e preenchedores para seus interiores dizendo-lhe: Não acredito em mulher, abastada e branca, que nunca foi ou que não tenha desejado ir pra cama com índio, nordestino, negro e japonês.
 Neste momento não tive a idéia da força do eco de minha fala em seus ouvidos, eu mesmo confesso que falava com certo deboche e demagogia, ela, no entanto quando chegou à sua casa jogou fora às sapatilhas.
 Ficamos por mais algumas semanas sem nos encontra, porém quando a revi, percebi que algo havia se rompido, ou começado em suas grutas interiores, o tempo todo indagava a mim e as outras pessoas sobre cultura indígena, negra, samurais, bois-bumbás e maracatus.
Um novo mundo havia para ela se descortinado e, um apetite voraz havia se apossado de seus lábios vaginais. Impulsionando esta moça a mascar toda sorte de tipos étnicos que o Brasil oferece, e contemplando uma felicidade seguida de uma placidez, após cada novo banquete, só possível de ser comparada a de um monge tibetano ou a um santo martirizado com aquela sensação de obrigação cumprida para com o humano e o divino.                                     
Passou a negar tudo aquilo que entendia como imposição européia. Nosso contato tornou-se cada vez mais estreito, pois eu de minha parte comungava com ela pensamentos e atitudes, vivíamos uma fase de interação de sentidos e mucosas com todos os seres do planeta desde que não fossem ou que não compactuassem com o pedantismo da hegemonia eurocêntrica, judaico-cristã.
 Taninha tornara-se surpreendentemente versátil, sempre que eu a encontrava apresentava-me alguém novo do seu eclético cardápio: Um japonês da yakuza, um negrão que falava alemão, morenos da capoeira, batuqueiros de maracatu, maranhenses tocadores de “onça”, um loiro pai de santo, um índio ator de uma reserva mato-grossense e, quando eu imaginava que ela já havia superado tudo, apresentou-me um casal de sapas gostosas com as quais ela somava brincadeirinhas.
Taninha então neste momento havia se tornado uma espécie de Dalai Lama, uma grande puta sagrada, que eu seria capaz até de brigar se visse alguém a destratando ou mesmo lhe censurando.
Mas como a vida só nos dá como fartura nas argrúrias, no auge deste momento que todos vivíamos, ela resolve se apaixonar por um rapazinho que só se vestia de preto, que se recusava a tomar sol, para afastar de uma vez por todas sua ascendência afro índia, cabeludo fanático por hard rock que, exercia total controle sobre minha amiga e ainda a torturava física e psicologicamente, um porco-espinho esquizofrênico.
Eu por minha vez afastei-me dela e de seu maridinho corvo, me devotando a continuar com a peregrinação de divulgar esta prática-rito exercício de liberdade que até hoje acredito.
Passados três anos recebo um telefonema (mensagem gravada) que não compreendi nem o significado e muito menos a procedência, mas após ouvir a gravação atento várias vezes percebi se tratar de Taninha, que me convidava para assistir um tal espetáculo de dança, no qual ela fazia uma personagem. Titubeie em ir assisti-la. Encontrava-me cético com as pessoas me pegava maldizendo a humanidade sozinho, e dizendo o quanto não valia mais a pena o esforço para gozar pecadinhos com as pessoas. Isso me assustou muito, e então numa tentativa de mostrar a mim mesmo que ainda haveria um pouco diversão na vida, resolvo ir assistir o espetáculo da minha grande amiga.
 No teatro me comovia com cada entrada de Taninha, ela fazia assim um personagem forte uma entidade antropomorfa meio vaca meio mulher, que na sua condição de mulher havia jurado nunca mais amar homem algum somente os bois, eu sentia tanta verdade no seu trabalho que chorei torrencialmente com a dor daquele personagem que ela fazia (embora me assuste a idéia de amar animal castrado).
 Ao término da apresentação eu precisava ver minha amiga fazer as pazes, saber a seu respeito. Enfim tinha fome de notícias e da presença de Taninha e isso levou-me a procurá-la. Quando nos revimos nos beijamos, nos xingamos e fomos logo tomar um banho juntos para que todos segredos-confidência fossem colocados na pauta do dia.
Neste momento então, me contou que a construção da personagem mulher de boi que eu havia a visto fazer, tinha sido resultado de toda uma pesquisa em terreiros de candomblé e viagens para os sertões do Brasil onde participou: de toadas, cirandas e ladainhas. Foi aí que eu quis saber se ela havia então se elevado à condição mulher vaca?
 E ela com entusiasmo corrigiu-me dizendo que mulher de boi e mulher vaca são coisas diferentes. Rimos, choramos e conversamos foi aí então que ela disse haver se separado do urubu torturador, pois ele a mantinha em condição de subjugação total, por ela ser mulher. E a traía com um amigo dela bailarino bem dotado de Santos. E quanto isso a feriu e a fez refletir sobre muitas coisas. E que a única boa herança do fim desta relação havia sido o “nanã” (pinto de plástico feito sob encomenda) que havia ficado com ela.
 E neste momento novamente preocupei-me com Taninha. Pois acabava de me contar que estava namorando um ator pornô, e que nunca um homem havia sido tão verdadeiro com ela, pois já o havia visto em filmes transando com outras mulheres, travestis e homens. E que sendo assim não teria nenhuma surpresa desagradável no futuro, já que as cartas estavam colocadas na mesa desde o inicio e que o sexo entre eles era muito bom, e ele não se opunha ao uso do nanã na relação; muito pelo contrario até gostava. Ou seja, nunca tinha tido “com homem” relação tão verdadeira.
Confesso que fiquei feliz por Taninha estar amando, mas me preocupou este namoro dela com um michezão. E novamente por algumas semanas como nos velhos tempos ficamos sem nos ver, porém, eu fui me angustiando, com a falta de notícias e resolvi visitá-la. Iria fazer às vezes de irmão e pôr este profissional do sexo para fora da casa dela, afinal de contas um cara assim pode ser um maníaco, assassino a gente nuca sabe.
Enchi-me de coragem e lá fui. Quando cheguei em sua casa para minha surpresa ela estava jogando baralho com o computador. Entrei esbravejando:
Eu-Cadê o vagabundo?
Ela- Quem?
Eu- O que está morando aqui com você. Oras!
Ela-Foi-se.
Eu- Você esta escondendo este canalha, já basta eu ter engolido aquele
Urubu torturador. Mas um garoto de programa eu não vou aceitar. Te interno em um hospício!
Ela- É sério mandei embora.
Eu- E não te levou nada? Está tudo bem com você Taninha?
Ela-Tudo?!? Tudo bem ,transar com outras mulheres, comigo transava bem. Tudo bem fazer filme pornô; comigo transava bem; tudo bem transar com travesti e com homem; comigo transava bem; Mais pedir o meu nanã emprestado. Não! Isso eu não aceito (começa a chorar e se joga em meus braços).

 Pedro Guimarães

terça-feira, 15 de março de 2011

Amor próprio

Tive tanto tesão em você e não consumei nada.
Sei lá se por incompetência minha; ou muita competência sua.
 Tive tanto tesão em você e nunca soube se sua distancia era desprezo ou dissimulação.
Tive tanto tesão em você e isso me agradou; essa espécie de incontato.
Mas no calor dos meus sonhos pude ter-te inteiramente livre e sem bloqueios .
 Tive tanto tesão em você e  me ressinto de sua esnobice barata.
 Seu corpo sempre foi meu, por mais  que me tenhas negado.
Tenho certezas e uma delas é que enlouquecerias com meus toques.
Tive tanto tesão por você que talvez nunca explique  a eu mesmo o pulsar desta razão.
 Tive tanto tesão por você que hoje me sinto consumido por um sentimento nostálgico, mas não me permito azedo e recalcado.
 Mesmo que o amor não exista.
 Que seja algo almejado somente por poetas e insanos, que toda a loucura seja perdoável.
 Que toda dor seja pura brincadeira de criança.
Mesmo que ainda tenha tesão por você e não saiba onde isso resida e esteja.
Tive muito tesão por você.
    Pedrão Guimarães