sexta-feira, 23 de julho de 2021

Nosso amor


A estranheza que move tudo quanto se mostra em tempos duros

Paralisa sensações que escondem belezas

Nunca soube dizer bem por onde ando

Gostaria tanto de conseguir construir belezas indestrutíveis 

Mas seu cinismo maior que o meu enfraquece meus sentidos

Sentidos ingênuos que passeiam pelo meu espectro de razões 

Acreditava que enxergava o mundo e as minhas pessoas

Muito pelo contrário sempre fui enganado dentro do que entendia

Acreditava no que via e não enxergava

Os modos são mais terríveis do que tudo que imaginava

Tento me manter vivo apesar do medo da morte

Tão vivo e presente no momento atual

Potencializo aquela vida que nunca me pareceu importante

As portas abertas se fecham em dores que não mais sentidas são menos divididas

O oco do seu peito tornou-se tão grande como o do seu sexo

Respira, respira, respira por mais que o medo não te inspira

O quê somos hoje o amanhã dirá.

Pedrão Guimarães


 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Apesar de quê vivemos?




Quando criança falava com a língua presa. Coisa graciosa pros familiares e amigos próximos.

Mas que também era motivo de chacota e reprovação por outros não tão adeptos  da permissividade daqueles todos.

O desagradável esconde valores que por pior que sejam mostram-se amáveis. Afinal demonstrar certos incômodos poderiam demonstrar "des-criminações" contrárias ao convívio pacífico de um  universo suspenso numa miopia relutante de entendimentos acomodados. A ideia de um amor destruidor.

 Sim!

 O amor fraternal entre vizinhos crédulos de uma generosidade caridosa e intimamente caustica mantinha aquela vizinhança. Muitas vizinhanças daquele momento.

O quê se dizia não se falava.

Sim! Era se tudo fosse aceito sem aquilo que nos fizesse desentendido. Uma aceitação & entendimento ingênuo assim. Deixa pra lá!

Vejam e ouçam então! Consegui aprender a falar sem a dificuldade anterior. Apesar que já tenha sido perseguido em serviços pelo jeito que falo. Falo com uma língua solta que possibilita fontes que muitas vezes desenrolam-se mais rápido que meu pensamento e vice versa sem que isso  eleve meus sentidos alegrias e principalmente minhas dores.

Sim. Gostaria que minhas dores e angústias fossem menores. Mas! Regozijam-me de alegrias efêmeras, saltitantes que me elevam aos Deuses.

Hoje as máscaras que sempre uso em todos os espaços me forçam a falar de forma que ainda não compreendi e que estão forçando-me a engolir consoantes que foram tão importante na dura caminhada de parar de falar com a língua presa. Tenho medo de como vou falar depois que me livrar das máscaras. Tenho medo de uma série de coisas, que tenho medo de confessar.

Pedro Guimarães

sábado, 2 de janeiro de 2021

                                      Cacura

            Envelhecer é a arte 

            de perder a vergonha


            na cara, minha filha.

                      Pedrão Guimarães

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

 Criança distante.

As coisas não andam boas. Gostaria de ter poder de interferir. Porém as crianças crescem pra bem e pra mal. Sendo necessário que nos calemos. Meus medos não importam por mais que as tristezas e imprecisões sejam aquilo tudo que não desejamos. Se elas se amam! Só me resta esperar que amem-se. Não fui capaz da coragem de fazer com que alguém me amasse. Tentei! Talvez de forma errada. Agora já não sei mais quem culpar! Eu? As pessoas? Hoje pareço tão seguro. Se seguro fosse não viveria a sombra daquilo que sempre quis rindo do meu ridículo. Amar é pros fortes.

https://www.youtube.com/watch?v=ZwbNesQeods


sábado, 27 de junho de 2020

Plágio da Marina.

É o amor que te move (Marina Lima).
Eu quis tanto uma poesia que por mais pequena que fosse. Fizesse um estrago na sua vida capaz de um sentido absurdamente lindo e que te elevasse àquela percepção/entendimento maluco de vida sensorial maluco e sensacional. Uma destruição de beleza capaz de destruir esse momento odioso que vivemos. Mesmo sem perspectivas melhores que vivemos contínuo amor de tudo aquilo que ainda não vivi e que com certeza boba tenho uma certeza lúgubre que viverei.

segunda-feira, 2 de março de 2020

                                      Sexo Virtual                


       Tenho um primo que, por uma razão que não conheço e que por ter menos idade não presenciei seus motivos, enlouqueceu. 
        Ele anda muitos km pela cidade que não é grande, todos os dias, fala sozinho um pouco. As ruas por sua vez não lhe dizem nada. Na sua solidão e loucura pacífica é visto como exótico/sombrio. Possui uma fala maestra,calada, quase muda misteriosamente sua.
       -Gosto tanto de você e não te encontro em lugar algum.
       -Passo por onde estarias sem que nos enxerguemos.
       -O valor buscado na internet supera o dos nossos corpos nus se tocando. Será que nos tocaremos nus algum dia?
       -Virtual é a capacidade virtuosa e virulenta que viraliza e nunca replica: Nossos corpos nus colados sem privacidade com expectativa de intimidade duradoura.
        -Te amo sem nunca ter estado contigo presencialmente. Gozamos tão gostoso juntos.
        -Quem sabe um dia meu corpo te agrade ainda mais ao vivo.
        Meu primo está em todos os lugares quase ninguém o deseja (suponho), tantos o enxergam todos os dias mesmo não o querendo. Aqueles que o observam quando muito conseguem dispensar-lhe algum tipo de compaixão e dó. Poderiam tocar-lhe se ele fosse aquela pessoa com quem gozam nas telas das redes sociais. Ninguém irá tocá-lo veem- no assim como seus "crushs" todos os dias numa relação que se equivale: Por razões distintas olham-se mas não conseguem se tocar. Como a lenda medieval dos amantes que foram transformados em lobo e falcão pra nunca conseguirem se encontrar e consumar o toque de seus corpos nus.
Pedro Guimarães
                                              Por quê?

       Que alegria é essa? Neste momento tão duro donde sei bastante das tristezas sobrevoantes daquilo tudo que coloca-se como algo maior. Sorrisos amarelamente sombrios com dizeres abafados e constridos.

       A solidão que carrego de certa forma sempre me acalantou e é por isso que rio da vida, do mundo, de tudo tudo. Se o cê tivesse me amado por completo. Se todos que desejei tivessem me amado?!?  Talvez hoje estaria menos ansioso. Não tenho essa certeza também. Me faltam muitas certezas; embora algumas me transbordam. Sem as lágrimas que dos meus olhos secaram de tanto que escorreram. Sabe aquela sensação de sentir-se rejeitado e incapaz?
       Desprovido de gostar desse corpo avesso à padrões para ser seu. E que os sonhos dos voos sobre Áfricas e Japões mitológicos justifiquem essa macula.
       Ando tão duro e insensível que me assusto, quero mais sorrisos que gargalhadas, coisa que ainda consigo muito bem e ainda bem.
       Sem perder essa alegria boba que move-me, não morro antes de conversar todas aquelas coisas tão fundamentais que deram sentido pra que eu nascesse para apavorar tudo aquilo que conspira contra meu ser e minha vida.
      Gostaria tanto te conhecer pra beijar todo seu corpo despudoradamente te deixando a vontade sem frescuras. Aí então serei e terei a certeza de que, por mais que a vida nos pregue peças. A vida é a vida!
       Mesmo com todo plástico nos asfixiando, com todo óleo cingindo nossos ódios ao sabor do destempero de ventos que façam tantos estragos. Que alguma alegria nos faça refem dela.

Pedro Guimarães