Foi assim! Quando nasci não pedi essa braveza.
Algo que herdei de longe pra talvez perder aqui perto, não sei!
Um bebê amado, constrito com o vigor d'eu mesma.
Cheguei nessa terra que parece gostar mais e favorecer os claros.
Virei e sou Nenê Preta.
Outros nenês chegaram no mesmo momento mais alvos.
Minha não claridade nunca me fez menos macia de cútis e principalmente de afetos.
Porém sempre de poucos deslumbres. E quase que totalmente não desfrutável.
Na medida em que a vida passa e passa. A maldade dela me fortalece.
Sou capaz de enfrentar os rojões que iluminam céus escuros e que insensivelmente não reduziram essa cor tão forte que tatuou minha pele desde que nasci.
Odeio! Uma série de coisas em segredo. Alguns silêncios podem ser redentores.
Desde pequena nunca disseram meu nome. Sou então: Nenê Preta.
Ajudo minha família com dinheiro ganhado de forma honesta, desde de muito cedo.
Num ponto que você não imagina.
Antes que percebesse fui trabalhar em casa de família.
Lavando banheiros brancos, cozinhando, limpando e alvejando as casas mais ricas.
Sei lá o que aconteceu? Tenho meus princípios. Mantenho certa distância.
Não suporto dó.
Não sou aleijada.
Não suporto desrespeito nem da minha família.
Em cidade pequena a gente caminha fácil pra lá e pra cá.
As vezes durmo na casa deles.
Dormir em casa de patrão é duro acaba que nunca estamos de folga. Prefiro voltar pra casa.
Aliás minha casa é simples; Mas grande, no meu quarto posso dormir pelada ninguém me enche o saco.
Muitos anos se passaram.
A vida foi dura conosco. No caminho pra cidade, nossa mãe e irmãos não tiveram tanta sorte morreram lá naqueles matos antes que o sonho de mudar se realizasse e na vinda pra cidade ficamos só eu e Papai.
A casa é nossa bem grande vivemos só nós dois.
Vou em cinco minuto a pé da casa onde trabalho até lá.
Dormir lá pra quê?
Papai tem que ser cuidado, sua aposentadoria é muito baixa. As vezes tenho a impressão que vivemos até melhor do que aquela gente rica onde trabalho.
Nossa casa é tão limpa e organizada como a deles, sem o luxo de lá; Mas, com mais beleza e jeitinho.
Posso falar? Gosto de dançar. Sim vou na missa. Já fui nos cultos dos crentes são gente mais parecida com a gente.
Mas os católicos são mais "chics" parecem meus patrões. Eu prefiro.
Na macumba só vou quando preciso parar de ter pesadelos ou pra conseguir coisas difíceis, sem contar pra ninguém.
Você sabe né? Não pega bem.
Gostaria de controlar essa raiva e braveza que vem de dentro.
Tenho vontade de bater na maioria das pessoas. Me controlo.
A gente da cor não pode dar motivos pra falarem de nós.
Sim!
Por que sempre falam e nos apontam. E como nos apontam.
Vou no bailão todo fim de semana.
Como adoro os homens!
Danço com vários deles.
Alguns até sinto o pau duro nas minhas coxas.
Com alguns até transo; Mas não sou mulher de qualquer um.
O samba e o forró me enlouquecem tanto que tenho vontade de dançar até o fim dos tempos.
Como cuido de pai e trabalho na casa do Japonês marido da loira dondoca, gente muito rica.
Tenho que me preservar, todo mundo me conhece.
Sei que preciso controlar meu temperamento.
Sou brava,saio sambando no carnaval na escola de samba da pernambucana minha amiga que morou no Rio, não c conheço o Rio. Sambar é uma coisa que me alegra e me acalma o ano todo.
Aceitei desde pequena ser a Nenê Preta; mas não precisavam todos me chamarem assim.
Qual é o meu nome alguém sabe?
Já não ligo mais!
Sou a Nenê mesmo.
Estou vendendo nossa casa.
Meu pai morreu de velho, ela é uma casa grande modesta num bom terreno no centro da cidade que vale mais que a construção (casa de preto).
Meus descontroles são meu estilo, um dia destes pouco antes da sua morte. Bati nele pois ele disse que eu era biscate.
Não me arrependo.
Todo meu martírio!
Cuidando dele sozinha todos esses anos?Trabalhando na casa dos ricos e transando pouco nos bailões sem levar ninguém pra dentro de casa.
Meus patrões! O japonês rico e a loira mimada. Chegue lá! Depois de anos de cumplicidade pra desabafar com eles o meu mal estar que vivi depois da desavença com papai; e eles brigando por razões fúteis. não me deram a minima , e olha que depois de tanto tempo de "intimidade" foi a primeira vez que precisava que eles me ouvissem e me aconselhassem.
Não me controlei.
Bati nos dois também.
Sou além de brava forte de corpo.
O casal por sua vez me perdoou e resolveram as pendências matrimoniais, me pagaram uma grana, eu fui embora.
Hoje vivo modestamente bem.
Adotei uma menina branca, minha filha, aliás nunca pari.
Menina que cresce bonita e educada e que nunca será chamada de Nenê. Aliás já bati em gente que tentou se referir à ela como negra. Nenê Preta.
monstrificação
- Cachorrio
- CARA DE QUE? (Projeto matilha no RJ)
- CHINELADAAA (LARGO DA BATATA)
- chineladaaa_monstrificacao
- Des-anjo negro
- Estado de Sitio
- Filmes- filmefobia
- Filmes-Arquitetura da exclusão
- Filmes-Cidade de quem?
- Filmes-O céu nos observa-Lixo
- Filmes-o que fez o cabelo...
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- Olhos de fuligem
- REGISTRÁVICOS
Creative Commons
A obra Registrávicos 2 de Pedro Guimarães foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em www.youtube.com.
Podem estar disponíveis permissões adicionais ao âmbito desta licença em http://pedraoguimaraes.blogspot.com/.
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
sexta-feira, 27 de julho de 2018
Papai
Queria tanto ser seu papai, mais que amigo, aí então mãe. Você me cantou e estamos juntos até hoje.
Triste é quando não consigo olhar nos seus olhos.
Refaça-se! Minha vida pode ser tão triste quanto a sua.
Bom seria receber algum tipo de afeto como troco seu, de alguém de todo mundo.
Hoje perguntei-me qual será o nome da faxineira, do flanelinha, do engraxate, da lavadoura de privada, da vendedora de balas, de tapioca, do porteiro do prédio da minha conhecida rica, da baiana do acarajé evangélica, do vendedor de churrasquinho da esquina. Perguntei?
Quem é o mavã (mavambo)? E num impulso que não sei não consegui respostas e quem sabe um dia conseguirei explicar o porquê? Consegui falar meu próprio nome.
Qual a diferença entre mulambo e mavambo? Você me explica?
Nesse momento então no meu entendimento cotidiano de homem resignado que cuida de esposa doente há 20 anos com orgulho e distinção, fui abordado na rua onde perguntaram-me se sou gay. Quase desfaleci e ouvi uma frase com potência de grito se formar no meu mais profundo interior:
Sou homem sério. Sou um homem sério. Eu sou marido da Sheila, Sou marido da Sheila.
Pedrão Guimarães.
Triste é quando não consigo olhar nos seus olhos.
Refaça-se! Minha vida pode ser tão triste quanto a sua.
Bom seria receber algum tipo de afeto como troco seu, de alguém de todo mundo.
Hoje perguntei-me qual será o nome da faxineira, do flanelinha, do engraxate, da lavadoura de privada, da vendedora de balas, de tapioca, do porteiro do prédio da minha conhecida rica, da baiana do acarajé evangélica, do vendedor de churrasquinho da esquina. Perguntei?
Quem é o mavã (mavambo)? E num impulso que não sei não consegui respostas e quem sabe um dia conseguirei explicar o porquê? Consegui falar meu próprio nome.
Qual a diferença entre mulambo e mavambo? Você me explica?
Nesse momento então no meu entendimento cotidiano de homem resignado que cuida de esposa doente há 20 anos com orgulho e distinção, fui abordado na rua onde perguntaram-me se sou gay. Quase desfaleci e ouvi uma frase com potência de grito se formar no meu mais profundo interior:
Sou homem sério. Sou um homem sério. Eu sou marido da Sheila, Sou marido da Sheila.
Pedrão Guimarães.
sexta-feira, 25 de maio de 2018
Pessoa de bem
Pra começo de conversa ti afirmo.
Não sou do bem!
Sou uma pessoa de bem.
Ícone ortodoxo com santos Africanos
Sem marcas ou termos de religiões fundamentais.
Sou uma pessoa "di" bem meu bem.
Sem crer que bem e mal reconheçam seitas ou religiões.
Uma pessoa di bem nenén.
Dê um tempo pra que a confusão não te cegue.
Se me vê como um demônio problema seu.
Gosto da vida e de tudo que viverei.
Sou uma pessoa di bem.
Não mato, não roubo, não violento mulher, bicha, negros e nem nenéns.
Sou uma pessoa di bem.
Se confundo sua compreensão é pra que enxergue melhor o mundão.
Uma pessoa di bem meu bem.
Me lembro de quando todos se escondiam na contramão.
Quem hoje invoca a ordem passada precisa de espaço pra transar escondido.
Batendo em mulher, matando índios, sapas e viados sem complicação.
Eu não sou do bem neném.
Sou um homem di bem.
Orações de corações sujos não chegam à Deus.
Sou uma pessoa di bem neném.
Não me interessa sua prece egoísta/ profana seu sucesso manco.
O conforto dos outros ti atrai?
Que sua crença te faça uma pessoa melhor.
Eu não sou do bem. Sou uma pessoa de bem.
Lembre-se também de mim e dos outros.
Eu não sou do bem neném. Sou uma pessoa di bem.
Pedro Guimarães
Não sou do bem!
Sou uma pessoa de bem.
Ícone ortodoxo com santos Africanos
Sem marcas ou termos de religiões fundamentais.
Sou uma pessoa "di" bem meu bem.
Sem crer que bem e mal reconheçam seitas ou religiões.
Uma pessoa di bem nenén.
Dê um tempo pra que a confusão não te cegue.
Se me vê como um demônio problema seu.
Gosto da vida e de tudo que viverei.
Sou uma pessoa di bem.
Não mato, não roubo, não violento mulher, bicha, negros e nem nenéns.
Sou uma pessoa di bem.
Se confundo sua compreensão é pra que enxergue melhor o mundão.
Uma pessoa di bem meu bem.
Me lembro de quando todos se escondiam na contramão.
Quem hoje invoca a ordem passada precisa de espaço pra transar escondido.
Batendo em mulher, matando índios, sapas e viados sem complicação.
Eu não sou do bem neném.
Sou um homem di bem.
Orações de corações sujos não chegam à Deus.
Sou uma pessoa di bem neném.
Não me interessa sua prece egoísta/ profana seu sucesso manco.
O conforto dos outros ti atrai?
Que sua crença te faça uma pessoa melhor.
Eu não sou do bem. Sou uma pessoa de bem.
Lembre-se também de mim e dos outros.
Eu não sou do bem neném. Sou uma pessoa di bem.
Pedro Guimarães
Mamãe
Então mamãe!
- Por quê desde pequeno durmo pouco nas noites que me acalantava sacrificando-se?Querendo se livrar do incomodo que me reservava com todo amor que te aprazia sem que suas culpas a torturassem com odores "galactósos" uma necessidade gozosa de usufruir de um marido viajante que por mais provedor,"presente" constantemente era distante.
Estátua de Oswaldo Saiane
Fui crescendo por mais que não entendesse falas e signos da perversidade adulta.
E dessa forma quando ouvia das suas vizinhas amigas as maravilhas dos outros maridos vizinhos mais presentes que as enlouqueciam com sexo constante afirmativo e até insistente. Enquanto criança ninguém me explicava e principalmente não me explicavam nada.
Não diziam às crianças; só falavam na frente delas como se elas fossem surdas e incapazes de compreender. E isso tem algo de bom!?!
Resignava-se por sabe!r o quanto de amor teria no porvir da volta dos seus.
Teve mais filhos do que todas as outras, que a infernizavam com seus relatos de cópulas diárias como troféus de casamentos.Perfeitos!?!
Mantinha a certeza da fidelidade deste marido viajante, coisa que tinha certeza que as outras não tinham com os seus ali sedentários.
Tinha uma certeza confiante cortante como lamina que aliviava sua espera.
E sempre era recompensada com a volta do seu homem/marido com uma recompensa que só os paninhos milimetricamente cortados no saco atrás da porta do quarto casal para enxugar sua xoxota do leite do marido após gemidos e gritos abafados pra não acordarem os meninos nos outros dois quartos ao lado, toda vez que ele voltava.
Nunca sentiu cheiro de outra mulher nele. Realmente se sentia superior aos maldizeres das vizinhas que com homens em casa relatavam pelos e cabelos estranhos nas cuecas e cheiros femininos das outras conjugues na hora de intimidades.
Agradava esse marido que jurou fidelidade no altar. E olha que tentações pecaminosas passou e sobreviveu. Homens brancos e ricos percebendo sua destreza solitária domiciliar com os moleques, indecorosamente lhe propunham deleites gozosos em segredo ou mesmo até amasiamentos.
Recusavas por mais que tais propostas lhe suscitassem fantasias, resistia.
Sabia o dia em que seu paladino voltaria.
E esse acordo era de uma precisão de um relógio suíço.
Tinha sido doméstica na adolescência porém depois do casamento ele conseguiu mante-lá como dona de casa. Só cuidava dele e dos seis meninos, na vizinhança da pequena cidade eram a única família negra ali daquela rua onde só moravam gente clara e branca. Que traziam assim pra eles uma espécie de admiração misturada à uma compaixão brasileira,um racismo míope e obtuso.
Os meninos crescem. Nenhum se reclina ao crime, são educados, bonitos trabalham mas não entendem a necessidade de estudo. Olham isso como algo que não os pertencem, seus amigos de rua tornam-se engenheiros, advogados médicos e somem dali. Voltam no dia das mães pra visitas rápidas e efusivas onde comentam seus progressos e conquistas. O lugar assim poderia morrer dentro do que lhe foi determinado com sua rotina monótona; Mas o acaso é o Deus mais potente e perturbador.
Foi assim que um daqueles meninos da família negra comiserada e condescendente . Sei lá por qual motivo. foi convidado pra vender veneno agrícola pelas fazendas e cidades da região e depois de aprender a dirigir foi ampliando uma atuação que o levou pra cidades cada vez maiores onde o simples dormir ali e aqui, construíram curiosidades estupefatas que vão se explicando e descortinando entendimentos ainda mais perturbadores.
Uma perturbação difícil de explicar algo que assombra e ilumina ao mesmo tempo.
Uma alegria irracional que faz a razão anterior se tornar nada.
Na medida que se afastou da família passou a conviver com gente intelectualizada nas cidades grandes e embora sem ter vivido universidades, aprendeu a pensar e falar como esses.
Por algum motivo difícil de se explicar ou entender voltou-se contra os venenos.
Por mais estranho ainda, passou a defender divisão das terras para índios, negros e mestiços, depois de romper com seus antigos valores de origem resignada foi viver muito longe dos seus. Hoje soubemos que foi assassinado no sul do Pará. Não acharam seus matadores; Mas virou nome de uma associação de direitos humanos da ONU. Que bom seria se ao invés de mártir vivesse o som de amores vividos, e que a vida fosse justa daquilo clamado como imparcial e sempre mentirosamente propagado.
Por quê o amor é tão difícil? Pedro Guimarães
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Vazante
Por todas as casas que passei neste natal e ano novo
Percebi torneiras vazando
Água potável se esvaindo em desperdícios
Uma espécie assim de pesadelo hídrico
Das casas mais ricas à mais pobres
Minha torneira da cozinha vaza
Mesmo que eu feche registros
Compondo-me em um pesadelo
Uma tortura chinesa irrefutavelmente maior
Superior que minha vontade
Uma sensação tão impotente como a grandiosa consciência política de Argentinos nessa América do sul recolonizada
Vejo na televisão um levante no Irã contra o Aiatolá de lá
Recolho meus ideais e convicções inseguros e tão confusos como uma fanfarra do leste europeu
Parecidos com um Paraná auto afirmante
Perambulando pela rua sou impingido a falar com mavãs e mulambos. Qual a diferença entre mavã e Mulambo? Alguém sabe me dizer?
Sim! Não me reservo e muito menos me excluo de ouvi-los
Tenho uma cara cachorra que os trazem-me pra confidenciar suas impressões, verdades, dúvidas e principalmente desejos dos mais insólitos e até elevações
Tento fugir.Gostaria muito
Mas por ter que transitar todos os dias por seus espaços estou ali exposto
E também sinto uma necessidade impotente minha de ouvir e falar menos
Já falo muito quando me sinto seguro
Coisa que me trás uma incontinência verbal e sonora arrogância
Parecida das torneiras que vazam nas casas que passei nos últimos dias
Pior que a surdez é a cegueira
Duas deficiências que assombram-me mais do que toda morte de sentidos
Sentidos que não negam minha vontade de vida
Que me iludem mais de que a morte que não existe menos que os medos maiores do que todo o sentido da vida
A decrepitude esvai tudo como um vento assassino
Posso existir por não atentar-se sobre ela (a morte)
Rir das coisas e de mim mesmo pode ser uma elevação dos sentidos mórbidos
Algo fugidio de vaidades nossas, vossas e dos outros
Gostaria de mãos impermeáveis pra conter as águas dessas torneiras obtusas independente de serem pobres ou ricas
Semeando torrentes em solos áridos e infecundos
Nem netuno, nem oxalá, nem Júpiter, nem hércules, nem Exu com sua criação do mundo inconsentida causadora do ressentimento que o acompanhou até hoje.
Formando um demônio dos monoteísmos. Mal visto como demônios maiores das profundezas dos infernos mais abissais
Gosto tanto de você que me assusta o fim do nosso sexo e relação. Situação possível que construa e destrua tudo que te disse. Mentiras sobre nosso amor enlouquecedor sem filhos ou matrimônio que torrenciam lágrimas em meus olhos
Coisa que não controlo mas que sobrevivo as possíveis cores das músicas todas que aliviam minhas vontades menores de dizer meu amor por tudo aquilo que quem sabe um dia diria o que sou.
Pedrão Guimarães.
Por todas as casas que passei neste natal e ano novo
Percebi torneiras vazando
Água potável se esvaindo em desperdícios
Uma espécie assim de pesadelo hídrico
Das casas mais ricas à mais pobres
Minha torneira da cozinha vaza
Mesmo que eu feche registros
Compondo-me em um pesadelo
Uma tortura chinesa irrefutavelmente maior
Superior que minha vontade
Uma sensação tão impotente como a grandiosa consciência política de Argentinos nessa América do sul recolonizada
Vejo na televisão um levante no Irã contra o Aiatolá de lá
Recolho meus ideais e convicções inseguros e tão confusos como uma fanfarra do leste europeu
Parecidos com um Paraná auto afirmante
Perambulando pela rua sou impingido a falar com mavãs e mulambos. Qual a diferença entre mavã e Mulambo? Alguém sabe me dizer?
Sim! Não me reservo e muito menos me excluo de ouvi-los
Tenho uma cara cachorra que os trazem-me pra confidenciar suas impressões, verdades, dúvidas e principalmente desejos dos mais insólitos e até elevações
Tento fugir.Gostaria muito
Mas por ter que transitar todos os dias por seus espaços estou ali exposto
E também sinto uma necessidade impotente minha de ouvir e falar menos
Já falo muito quando me sinto seguro
Coisa que me trás uma incontinência verbal e sonora arrogância
Parecida das torneiras que vazam nas casas que passei nos últimos dias
Pior que a surdez é a cegueira
Duas deficiências que assombram-me mais do que toda morte de sentidos
Sentidos que não negam minha vontade de vida
Que me iludem mais de que a morte que não existe menos que os medos maiores do que todo o sentido da vida
A decrepitude esvai tudo como um vento assassino
Posso existir por não atentar-se sobre ela (a morte)
Rir das coisas e de mim mesmo pode ser uma elevação dos sentidos mórbidos
Algo fugidio de vaidades nossas, vossas e dos outros
Gostaria de mãos impermeáveis pra conter as águas dessas torneiras obtusas independente de serem pobres ou ricas
Semeando torrentes em solos áridos e infecundos
Nem netuno, nem oxalá, nem Júpiter, nem hércules, nem Exu com sua criação do mundo inconsentida causadora do ressentimento que o acompanhou até hoje.
Formando um demônio dos monoteísmos. Mal visto como demônios maiores das profundezas dos infernos mais abissais
Gosto tanto de você que me assusta o fim do nosso sexo e relação. Situação possível que construa e destrua tudo que te disse. Mentiras sobre nosso amor enlouquecedor sem filhos ou matrimônio que torrenciam lágrimas em meus olhos
Coisa que não controlo mas que sobrevivo as possíveis cores das músicas todas que aliviam minhas vontades menores de dizer meu amor por tudo aquilo que quem sabe um dia diria o que sou.
Pedrão Guimarães.
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
É a vida que diz Marina Lima.
Não sei escrever. Escrevo aquilo tudo que não consigo dizer quando me chateio e o que me magoa.
Esplano sobre minha impotência de não falar sobre um amor que por mais entristecedor corrompe estas vontades que de tão tristes trazem uma alegria imbecil repletas de lembranças que prefiro distanciar-me.
Odeio escrever em primeira pessoa por isso digo e não sigo aquilo tudo que por mais que vivi evito.
Não gosto da maioria das verdades que ouço e quase não falo nada. Não falo nada.
Queria falar sobre outras coisas.
Se você consegue te admiro.
É tão duro sentir aquilo que não nos foi ensinado ou dito.
Seu sim não diz o quê eu possa fazer.
O seu sim confessa um não tão mais duro.
Faço o quê então?
Sofro! Choro ou sobrevivo imbecilmente?
Estou sem saber falar já há algum tempo.
A poesia me visita pouca e de um tempo pra cá passeia pelos meus sonhos afugentando pesadelos sem permanências, insistências e regozijos.
Coisa que não me trás maiores alegrias e felicidades por mais que eu gostaria muito de saber à quem agradecer.
Pedrão Guimarães
Não sei escrever. Escrevo aquilo tudo que não consigo dizer quando me chateio e o que me magoa.
Esplano sobre minha impotência de não falar sobre um amor que por mais entristecedor corrompe estas vontades que de tão tristes trazem uma alegria imbecil repletas de lembranças que prefiro distanciar-me.
Odeio escrever em primeira pessoa por isso digo e não sigo aquilo tudo que por mais que vivi evito.
Não gosto da maioria das verdades que ouço e quase não falo nada. Não falo nada.
Queria falar sobre outras coisas.
Se você consegue te admiro.
É tão duro sentir aquilo que não nos foi ensinado ou dito.
Seu sim não diz o quê eu possa fazer.
O seu sim confessa um não tão mais duro.
Faço o quê então?
Sofro! Choro ou sobrevivo imbecilmente?
Estou sem saber falar já há algum tempo.
A poesia me visita pouca e de um tempo pra cá passeia pelos meus sonhos afugentando pesadelos sem permanências, insistências e regozijos.
Coisa que não me trás maiores alegrias e felicidades por mais que eu gostaria muito de saber à quem agradecer.
Pedrão Guimarães
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Miopia
Achava divertido chamar as pessoas de gabiru ou cafuçu.
O quê isso traz de melhor pra eu ou pra você?
Quero converter nossa pretensa superioridade numa inteligência que construa odores de sabedorias que de tão profundas instaure algum tipo de sofrimento em nossa miopia anestesiante e rançosa.
Como é bom bailar a beira do abismo conseguindo não despencar no desfiladeiro. Buraco de uma certeza que acredito ser a maior elevação de minhas verdades, elevador da crença onde presumo ser mais sábio, inteligente, bonito e preparado do que o gabiru, cafuçu, baiano, paraíba, pedreirão burro, capaz de consumir minha vontade/inveja, mais profunda de ser o garanhão entre suas pernas arrancando gritos que possam consumir mais prazer alheio do que tudo que consegui ou imaginei um dia, te levando a uma quase morte onde também eu morra, em submeter-te, num certo sentido querendo estar em seu lugar. Em seu lugar!
Um desejo escondido nas profundezas mais cavernosas. Onde morro-me nas minhas próprias mãos gemendo num encontro abissal com aquilo que amaria te fazer como se fosse comigo mesmo, um esplendor de abjeções só minhas, algo assim: Paradoxo de perversão.
Sabonete com gilete no meio colocado por eu mesmo e esquecido pra rasgar entranhas e rostos. Com mãos tremulas e capazes que mentem a profundidade maior dos seus sonhos mais inconfessos.
Não sei se o que em mim é pior : Minha castidade ou minha luxúria. Alguém saberia me dizer?
O quê mais te incomoda e alegra em você mesmo?
O quê isso traz de melhor pra eu ou pra você?
Quero converter nossa pretensa superioridade numa inteligência que construa odores de sabedorias que de tão profundas instaure algum tipo de sofrimento em nossa miopia anestesiante e rançosa.
Como é bom bailar a beira do abismo conseguindo não despencar no desfiladeiro. Buraco de uma certeza que acredito ser a maior elevação de minhas verdades, elevador da crença onde presumo ser mais sábio, inteligente, bonito e preparado do que o gabiru, cafuçu, baiano, paraíba, pedreirão burro, capaz de consumir minha vontade/inveja, mais profunda de ser o garanhão entre suas pernas arrancando gritos que possam consumir mais prazer alheio do que tudo que consegui ou imaginei um dia, te levando a uma quase morte onde também eu morra, em submeter-te, num certo sentido querendo estar em seu lugar. Em seu lugar!
Um desejo escondido nas profundezas mais cavernosas. Onde morro-me nas minhas próprias mãos gemendo num encontro abissal com aquilo que amaria te fazer como se fosse comigo mesmo, um esplendor de abjeções só minhas, algo assim: Paradoxo de perversão.
Sabonete com gilete no meio colocado por eu mesmo e esquecido pra rasgar entranhas e rostos. Com mãos tremulas e capazes que mentem a profundidade maior dos seus sonhos mais inconfessos.
Não sei se o que em mim é pior : Minha castidade ou minha luxúria. Alguém saberia me dizer?
O quê mais te incomoda e alegra em você mesmo?
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