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Creative Commons
A obra Registrávicos 2 de Pedro Guimarães foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em www.youtube.com.
Podem estar disponíveis permissões adicionais ao âmbito desta licença em http://pedraoguimaraes.blogspot.com/.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Juradas de vida
Duas pessoas certas de suas limitações e convicçoes, saem aquela noite mais cedo da escola onde trabalham no centro. Uma dirige e outra leciona, naquela instituição de ensino com todos os seus entraves.
Estão bastante ansiosas e felizes, vão participar do júri de um concurso de pau, num puteiro masculino ali perto da escola mesmo, conversam afoitamente, sorriem com cumplicidade e principalmente comungam satisfação, nada poderia dar errado naquela noite. Será?
Na entrada do estacionamento, o elemento surpresa e casual, um rapaz que abre o portão diz conhece-las de uma vizinhança anterior e do tanto que sempre quis se aproximar, prontamente segurando a genitalia sobre as calcas, fazendo as duas professoras engolirem seco de susto e estupefação. Para completar o assédio, ainda declara: Sou da Paraíba, bem dotado e fogueteiro, os outros dois colegas que estão dormindo lá nos fundos um é da Bahia e o outro do Pernambuco ao ouvir tal descrição as duas professoras sentem tremores internos, e percebem que se não tirarem logo o carro dali poderão perder o foco de atenção no concurso, aquele tão grandioso evento, preferiram ir embora sem aceitar o convite de conhecer o quartinho de fundos onde estavam outros dois rapazes dormindo. Quando entraram no carro foram surpreendidas por uma pergunta do rapaz da Paraíba: A lei permite que gente seja tão mal alojado assim?
Talvez ali estivesse a oportunidade para aquelas duas criaturas, demonstrarem que além dos ímpetos carnais, também pudessem ser motivadas por sentimentos de benevolência e nobreza, e aquilo as tocou de certa forma.
No concurso de pau, se diferenciaram estavam alegres, mordazes e com um certo ar comtemplativo. Parecia que uma flor brotara no subterrâneo de suas almas, na volta pra casa cada uma recebeu seu brinde um michê(bónus) para usufruir, foram felizes com seus parceiros, viveram e gritaram obscenidades até amanhecer o dia, no apartamento de uma delas.
Por volta do meio dia os quatro tomavam café da manhã , embora acabassem de de compartilhar gozos instigantemente profundos, já haviam perdido o interesse pelos dois varões que as acompanhavam. Um dos michês quando percebeu que elas já estavam farta da companhia deles, fez questão de desmerece-las, afinal para um puto não há coisa pior que perceber-se não desejado.
Escarneando as duas; contratados como premiação já haviam cumprido sua função iriam embora, foi então que o mais falante deles disse: "A gente que trabalha com pau ganha mais dinheiro que vocês nesses servicinhos de funcionário publico".Foi a despedida carregada de vingança e ressentimento.
Novamente elas estavam a sós para pensar como ajudariam os meninos do estacionamento, e que tipo de escambo poderia ser estabelecido ali, pois toda caridade pressupõe algo em troca ou em contra partida.
Uma amizadezinha "cachorra" começa a se estabelecer entre elas e os caras do estacionamento, toda noite no final do turno, buscam o carro ali, mas também trocam, gracejos, deboches, libidinagens e principalmente promessas de deleites futuros, elas as professoras, fazem vistorias constantes no quarto dos rapazes, o argumento é que condições subumanas e insalobras ocorrem ali. Esta é a principal razão para as blitz dessas educadoras, que podem por sua vez também apreciar a visão dos moços de cuecas, dormindo erectos, sem que isso se configure em pura e simples taradice delas. Estão escrevendo um relatório para o conselho dos direitos humanos, ou para o ministério público, não decidiram ainda. O que se sabe é que elas estavam cumprindo assim a função de defensoras públicas, e que os rapazes as recompensariam com mais parcas que fossem suas possibilidades ao final daquela jornada.
Mas como a vida é mais generosa em argrúrias, os planos dessas amorosas docentes vieram por água a baixo, quando a esposa de um dos guardadores deu um escândalo lá no recinto em questão, berrando aos quatro cantos que o marido e seus dois colegas estavam com caso com dois "professores viados sem vergonha" da escola ao lado.
Continuam guardando o carro lá com os rapazes mas hoje só se olham triste e apagadamente, nem de longe se observa o fulgor dos olhares anteriores e novamente a vida toma seu curso triste monótono.
Pedro Guimarães
terça-feira, 5 de julho de 2011
Viver no Rio
As crianças são cuidadas por quem esta mais perto e aí morre o perigo. O corredor é o espaço do convívio mais estreito, as portas estando abertas é sinal de que o morador esta disposto a bater papo, sempre há uma ou outra porta aberta e alguém sentado do lado de fora. Avôs aposentados ou algo parecido, arrimos de família. O calor libidiniza os assuntos o sacolé custa de 20 a 50 centavos e está sempre a refrescar quem o chupa, isso faz do corredor um ventilado ponto onde tudo se conversa. E que vocação ao bate papo que tem o carioca, eles falam muito, o tempo todo, sobre tudo as vezes não conseguia entender o que estava sendo dito , e tenho a impressão que nem mesmo eles o sabiam ,mais mantinham essa prosa louca e minimal, mais por necessidade de um bem estar dentro de seus antigos hábitos do que algum questionamento ou construção de razão transgressora.
O mais enriquecedor desta brincadeira foi sentir-se acuado por um sotaque diferente hegemonicamente absoluto, donde muitas vezes (eu que muito falo) me via obrigado a exercer a audição me calando por sequências inteiras de momentos. E para minha grata surpresa em outras situações ser acolhido e requisitado ( Em muitos momentos as pessoas achavam que me conheciam ou diziam ter a impressão que já haviam convivido comigo há muito tempo).
Volto assim com uma certeza, se Euclides da Cunha disse: O sertanejo é um forte. Amplio essa força e esse sertão a outras paisagens do nosso Brasilzão.
Difícil é a vida no Rio, pouca grana, aluguel caro, serviços fundamentais que se fecham cedo, medo de bala perdida, no morro a população desproporcionalmente “preta” ; mas o sorrizão ali presente, a disposição ao bate papo, o suingue dos quadris que rebolam até mesmo quando se sobe o morro carregando peso, a alegre malemolência de cachorros que levam a carroçinha divina aos céus após terem capturado o cão para no paraíso virar sabão, que se encontrava escondido num baile funk proibidão.
Sobre o morro Santa Marta
Oitocentos e cinquenta degraus na direção do suvaco esquerdo do Cristo. Adorei aquele elevador, quando você chega lá no alto na sua ultima parada, a brisa é mais revigoradora do que a visão, do Cristo, da lagoa ou da Baía, na parte mais alta do morro a antiga escola que hoje é a base da polícia pacificadora , alibans com uma puta vontade de serem “Americanos”. O visual do alto é enlouquecedor, o Cristo, a mata, os bairros nobres no pé do morro, as águas, o muro e a favela.
A favela vista do alta e de dentro, leva-nos a pensar: Quem esse cristo protege ou favorece? Embora haja algumas casas feitas pelo PAC, outra feita pelo Luciano HulK, passarelas e postos de coleta seletiva de lixo, o colorido acinzentado da pobreza ainda é muito forte. Não se vê armas (só com os policiais) e nem uso/tráfico aberto de drogas, e isso me parece algo bom. Mas ainda vemos barracos sem janela, uma água suspeita que escorre da parte mais alta, muito lixo, pessoas fazendo nada e muitas crianças.
Por todos os lados crianças regidas pela sinfonia do ócio e do mínimo cuidado, que nos revelam que mesmo estando matriculadas não conseguem ler e escrever. Crianças que são cuidado de todos, de quem estiver mais perto, sorridentes , lépidas,falantes e serelepes; mas também com a pele manchada.
A primeira vez que subimos no Santa Marta ou Dona Marta? Até agora não entendi. As crianças e o seu Armando (couro seco) pinguço oficial do morro nos receberam , fomos até a quadra, até os barracos mais insólitos no alto do morro acompanhamos o traçado do muro por alguns metros, com seu Armando que o tempo todo lembrava-nos do perigo das cobras ( que segundo ele e outros moradores do morro enfestaram o lugar depois das obras).
O desenho do buraco no muro, a poética irtervenção das pipas a luta de capoeira dos meninos de afrofuturismo. Todos esses momentos foram uma maneira sutil de especular e fazer parte daquele lugar por alguns instantes, porém o que mais me entorpeceu ali, foram os olhos, sempre foram algo que me perseguem e eu reciprocamente eles desde minha mais tenra fase. Os olhos daquelas crianças dizem o inevitável que mem elas mesmas sabem mas imaginam. Que só será redimido se alguma perspectiva for ali nelas introduzida. Os olhos do Armando couro seco, seguidos de uma voz ébrio-psicótica a dizer que todo negro de São Paulo é seu primo e filho do Pelé, sendo assim rico. Seguido de um ímpeto sacro-profano (na segunda vez que nos vimos)gritando que São Pedro é F.d.P. por inundar São Paulo e deixar o Rio Tão quente e seco por tantos dias, senti nele ali naquele momento a força trágica que não há mais no teatro atual.
Mas foi na procissão para o padroeira da cidade São Sebastião que tive os momentos mais emocionantes da minha incursão no Dona Marta, um reizado que desce o morro todo ano, que maquele momento desceria sem o palhaço, pois o mestre havia morrido algumas semanas antes. Uma comoção de luto, as pessoas cantavam, andavam e choravam com S. Sebastião a’ frente atravessando até os fundos de um ensaio de escola de samba sem que uma coisa atrapalhasse a outra, esse santo bonito, martirizado com ar de lascívia e desejo homoafetuoso, que é posição sexual, padroeiro de causas e amores escusos, canibalizado por Mishima no Japão quase feudal da segunda guerra mundial. Saravá Rio, Saravá São Sebastião e que os muros não sejam capazes de apartar possibilidades de encontros, trocas e amores, para que a sociedade brasileira se transforme e avance.
Pedro Guimarães Residência( experiência imersiva) no pedregulho(minhocão do São Cristovão) Rio de Janeiro
terça-feira, 28 de junho de 2011
NA TELA DO ASTRO
Na sonolência de preguiças errantes, me virava de um lado pra outro da cama quase vazia, quando ouvi tão bela canção que radiava da televisão.
Tão difícil radiações legais principalmente da televisão, embora eu a mantenha ligada o tempo todo.
Era uma música do João Bosco, um dos maiores monstros sagrados da nossa música, ainda na ativa, descendente de arábe, com aquele nariz quase falo, herdeiro do maneirismo dissimuladamente mineiro e totalmente devotado ao catimbó do malacuchê mais profundo.
Com seus atonados rodopios sonoros, me senti elevado. Trata-se de uma novela que a maior emissora do pais, esta regravando para estreiar em breve, e o fato é que a trama acontece em torno de um vidente e seus clientes , se é que podemos chamar as pessoas que procuram esses magos de "cliente", não quero ofender ninguém.
O que me inquieta é:
Como uma historia de um vidente no Rio, cheio de favelas e povo negro, centralize-se neste senhor de alvos olhos claros e nenhum tipo de relação com a macumba (sim por que quando o espirito abaixa em preta é pomba-gira; quando abaixa em branca é espanhola), seria para agradar os setores evangélicos que não existiam ainda quando foi feita a primeira versão; mas talvez já estivessem ali sendo pré anunciados ?
Não me faço de ingénuo nem tampouco auto comiserado, já ouvi produtores de TV dizerem que não trabalham para instituições de caridade, ONGs ou coisa parecida; televisão mostra o que as pessoas querem ver e gostariam de ser, pura lei de mercado.
Talvez seja por isso que nunca sejamos aquilo que o consumo nos faz sonhar. De qualquer forma não vou aqui me colocar como um praguejador/ malidiscente da TV e suas celebridades( embora seja isso que eles mereçam), venho felicitar e agradecer aos barões desta emissora de TV a possibilidade de uma música tão linda do João Bosco poder ser tocada e assim conhecida pela "mulecada". Evohé, Axé Saravá. João Bosco.
Pedrão Guimarães
Tão difícil radiações legais principalmente da televisão, embora eu a mantenha ligada o tempo todo.
Era uma música do João Bosco, um dos maiores monstros sagrados da nossa música, ainda na ativa, descendente de arábe, com aquele nariz quase falo, herdeiro do maneirismo dissimuladamente mineiro e totalmente devotado ao catimbó do malacuchê mais profundo.
Com seus atonados rodopios sonoros, me senti elevado. Trata-se de uma novela que a maior emissora do pais, esta regravando para estreiar em breve, e o fato é que a trama acontece em torno de um vidente e seus clientes , se é que podemos chamar as pessoas que procuram esses magos de "cliente", não quero ofender ninguém.
O que me inquieta é:
Como uma historia de um vidente no Rio, cheio de favelas e povo negro, centralize-se neste senhor de alvos olhos claros e nenhum tipo de relação com a macumba (sim por que quando o espirito abaixa em preta é pomba-gira; quando abaixa em branca é espanhola), seria para agradar os setores evangélicos que não existiam ainda quando foi feita a primeira versão; mas talvez já estivessem ali sendo pré anunciados ?
Não me faço de ingénuo nem tampouco auto comiserado, já ouvi produtores de TV dizerem que não trabalham para instituições de caridade, ONGs ou coisa parecida; televisão mostra o que as pessoas querem ver e gostariam de ser, pura lei de mercado.
Talvez seja por isso que nunca sejamos aquilo que o consumo nos faz sonhar. De qualquer forma não vou aqui me colocar como um praguejador/ malidiscente da TV e suas celebridades( embora seja isso que eles mereçam), venho felicitar e agradecer aos barões desta emissora de TV a possibilidade de uma música tão linda do João Bosco poder ser tocada e assim conhecida pela "mulecada". Evohé, Axé Saravá. João Bosco.
Pedrão Guimarães
segunda-feira, 20 de junho de 2011
BISCATEAÇÃO
Todos devem se lembrar da praçinha, praçinha da matriz onde nossos pais e avós se conheceram e se reconheceram ,na época do antigo “footing” onde as moças andavam no sentido horário e os rapazes no sentido anti-horário, para que homens e mulheres pudessem se ver e apreciarem-se, tudo caminhando para futuros enlaces, namoros, noivados - casamentos.
Como se prevê o protocolo dos bons modos e relacionamentos; mas nem tudo são flores, agora me refiro a certa cidade com menos de 100 mil habitantes, distante com praças espaçosas , arborizadas recheadas de jogos de dominó e xadrez para idosos aproveitadores de seu tempo diurno vespertino, aparentemente tranqüilos e desprovidos de maiores má intenções; se não levarmos em conta o que podem dizer e pensar esses velhos.
Um cenário de harmonia e acomodação de tudo que é belo; se não fosse por um único detalhe ,tais praçinhas ao cair da noite abrigavam uma horda de adolescentes, ninguém nunca soube explicar com quem começou ou porque?
Principalmente a praça da matriz passou a abrigar esse grupo de jovens em tenra idade que se entregavam aos seus desejos mais obscuros e recônditos, oscilavam numa faixa etária de 12 a 17 anos, não iriam para rodovia e postos de beira de estrada, isso para os moldes daquele lugar era algo muito vulgar e desmedido.
Já a praça da matriz não. Era uma unanimidade, um lugar sacro-santo. Que mal haveria em jovens ficarem na praça de frente a igreja maior, até certa hora da noite?
E sem que ninguém notasse ou talvez até por uma tolerância perversa, os adultos faziam que não percebiam, ou permitiam este súbito deslize de suas crianças, pois até onde me consta ninguém cobrava nada(pelo menos mais do que já recebiam).
Assim esse grupinho de jovens pode apreciar as delícias do sexo, sem ficarem mau vistos ou mau afamados no lugar, para todos os efeitos mantinham vossa castidade. Entregavam-se à homens mais velhos, vendedores na sua grande maioria que sempre estavam ,hospedados de passagem e que nunca iriam revelar os segredos daquela patotinha faminta.
As outras e iniciais incursões sexuais ao que tudo indicava ocorriam dentro de casa mesmo ,coisa que as famílias não revelavam, dessa forma estavam protegidos e em segredo para poderem continuar a trilhar esse trajeto de pecadinhos secretos, tão necessários ao ser humano, principalmente quando se vive sob o controle de um lugar castrador e proibitivo.
Vendedores de remédios farmaceuticos, fornecedores de tecidos de magazines, negociadores de madeira derrubada e transportada ilegalmente para madeireiras,fornecedores de bebidas, representantes de oficinas de lingérie, gerentes de frigoríficos e toda sorte de machos sem vergonha, a serviço do capital, faziam os negócios circularem e o dinheiro se justificar naquela localidade, e por sua vez alimentavam desejos e fomes infanto-juvenis, quantas: Gretas, Marcinhas, Paulinhos, Vitinhos, Carolzinhas, Estelinhas, Ruizinhos,Caetanos, Lauras , Jorginhos e alguns que nem mais lembro.
Na sua generosidade adulta, esses novos caixeiros-viajantes, iniciavam e satisfizeram jovens de todos os segmentos: Biscatinhas, viadinhos, sapinhas e recém casad@s.
Ninguém foi denunciado por pedofilia, era um escambo fortuito, o forasteiro não depreciava a imagem dos joven local, e os jovens locais não taradificavam a imagem do forasteiro. Essa dinâmica durou muito tempo, e talvez até hoje esteja em prática.
Mas o que venho dizer neste momento é que: Todo mundo de certa forma sabia, e essa omissão nunca entenderei!
Diferentemente da ruína do cinema, onde muitos evitavam passar até na calçada ,e que se alguém dissesse ter te visto de lá saindo, isso provavelmente acabaria em pancadaria.
A praça da matriz não; era envolvida de uma bruma de misteriosa aceitação, como se uma nave pousasse, para fazer experimentos com todos aqueles adolescentes que por ali desavisada ou propositalmente andavam depois das oito da noite.
Entre a matriz e o hotel, alamedas em flor, troncos altos, rígidos , exuberantes, arbustos tão intrínsecos como pêlos pubianos.
Entre a matriz e o hotel, alamedas em flor, troncos altos, rígidos , exuberantes, arbustos tão intrínsecos como pêlos pubianos.
Que lá foi capaz de criar duas sensações de seus antigos freqüentadores lembranças suspirantes e nostálgicas de uma época de ouro; ou de abjeções que a qualquer custo devam ser esquecidas.
PEDRÃO GUIMARÃES
segunda-feira, 13 de junho de 2011
ENAMORADOS
TODO DIA 12 DO MÊS DE JUNHO, É SEMPRE ESSE TORMENTO COM RELAÇÃO SUA POPULARIDADE E MEDIÇÃO DE SUA CAPACIDADE, DE ESTAR INSERIDO OU NÃONO MERCADO SEXUAL.
SIM, PORQUE SE VOCÊ NAMORA, A QUESTÃO É SE CONSEGUE OU NÃO SER UM BOM, AMANTE?
E SE NÃO NAMORA ,POR QUE SE ENCONTRA SÓ ? ALGO DE ERRADO DEVE ACONTECER CONTIGO: TEM MAU HÁLITO? RONCA MUITO?PEIDA MUITO QUANDO DORME?NÃO OPEROU A FEMÓSE? NÃO SABE SE QUER COMER OU DAR? TEM PROBLEMA NEUROLÓGICO? OU TEM VOCAÇÃO PARA MÁRTIR?
NESTE ÚLTIMO SÁBADO CONFESSO QUE TINHA ESQUECIDO A DATA, E DEVIDO A TODO ESSE FRIO FIQUEI EM CASA ATÉ AS SEIS DA TARDE(JURO QUE NÃO ERA DEPRESSÃO).
QUANDO LEMBREI QUE PRECISAVA IR AO AÇOUGUE POIS HAVIA SIDO TOMADO DE UMA VONTADE DESMEDIDA DE COMER UMA BUCHADA, INDO ATÉ O MERCADO QUE FREQUENTO PARA EFETUAR TÃO PRECIOSA AQUISIÇÃO.
NA FILA DA CARNE, UM AÇOUGUEIRO COM UMA CARA DE MACHO FUNDAMENTALISTAMENTE SAFADO, COM INTENÇÕES DAS PIORES POSSIVEIS PERGUNTÁ-ME: ENTÃO FILHÃO JÁ COMPROU O PRESENTE PARA A NAMORADA? NA HORA SENTI O CHÃO ME ESCAPAR, NÃO ESPERAVA OUVIR TAL PERGUNTA DAQUELA FIGURA COM UMA FACA NA MÃO CORTANDO CARNE, E NUM IMPULSO DE DEFESA VOLUNTÁRIO, SÓ CONSEGUI RESPONDER: TÔ SEM DINHEIRO.
NO MESMO INSTANTE PERCEBI O QUÃO ABSURDO ERA AQUELA SITUAÇÃO TODA. JUSTAMENTE EU QUE ADORO DEBOCHAR DOS ROMANCES INICIADOS EM FILAS DE AÇOUGUE E PADARIA, DAS PAIXÕES TÓRRIDAS DE CINEASTAS DE VANGUARDA POR AÇOUGUEIROS SEMI-ANALFABETOS, ME VI DEBOCHADO POR AQUELE SACANA VENDEDOR DE CARNE.
E DE ONDE VEM ESSA VONTADE LOUCA DE COMER CARNE? OUTRO DIA UMA AMIGA ME CONTOU QUE ESTAVA TÃO "PRECISADA" DE SEXO QUE TOMOU CORAGEM E CIRCULOU O CENTRO DA CIDADE A PROCURA DE UM MICHÊ PARA TRANSAR EM UM HOTELZINHO BARATO E MATAR ASSIM ESSA NECESSIDADE, NÃO DEU NADA CERTO,FICOU COM MEDO DE TUDO E DE TODOS. MAS CONTINUAVA COM UMA FOME ANCESTRAL, ABISSAL ALGO QUASE INSANO. FOI AÍ QUE TEVE A FORÇA INTERIOR PARA MUDAR SEU FÓCO, ENTROU EM UMA CHURRASCARIA E COMEU ATÉ SENTIR-SE MAL, PARA ENTÃO AÍ PODER IR PARA CASA E DESMAIAR COMO UMA GIBÓIA SACIADA, NÃO SACIOU SUA FOME SEXUAL, NÃO TEM UM NAMORADO MAS SE SENTE FELIZ QUANDO VAI AS REUNIÕES DOS VIGILANTES DO PESO, E QUEM SABE ATÉ LÁ CONSIGA SE CASAR.
RECEBI VÁRIOS PRESENTES NESTE DIA DOS NAMORADOS: BOLETO DAS CASAS BAHIA, DO ECON, COBRANÇA DO ALUGUEL E FUI COBRADO NA RUA PELA MULHER DO YAKULT.
PEDRÃO GUIMARÃES,
sexta-feira, 20 de maio de 2011
CONSPIRAÇÃO RONALD
DENTRO DA CULTURA BRASILEIRA, OS MAIORES SÍMBOLOS DE SUCESSO E MASCULINIDADE SÃO INCONTESTAVELMENTE OS JOGADORES DE FUTEBOL QUE CHEGAM A GLÓRIA.
NOSSOS MONSTROS SAGRADOS, SEMIDEUSES ENTIDADES VIVAS.
E ESTES SENHORES ME ASSUSTAM COM SEUS EQUÍVOCOS, QUANDO FAZEM DETERMINADAS COLOCAÇÕES INFELIZES NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, COM SEUS CASAMENTOS(OBRIGATORIAMENTE) COM SUAS LOIRAS E PRINCIPALMENTE QUANDO NEGAM QUE SÃO NEGROS.
MAS QUANDO FLAGRADOS COM TRAVONAS GOSTOSAS; AÍ SIM OS RESPEITO SENDO OBRIGADO ADMITIR QUE ENTENDO ALGO DE "HUMANO" HABITANDO O INTERIOR DESTAS PESSOAS. PASSO ASSIM A VÊ-LOS COM MELHORES OLHOS.
OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO PLANEJARAM ORQUESTRAR MAIS UMA ENCENAÇÃO PERVERSO-SENSACIONALISTA NO ESTILO CASO ISABELA, TENTANDO DEMONIZAR O JOGADOR OU AS TRAVESTIS, MAS O QUE NINGUÉM FALA(E TODOS SABEM).
É ! QUE NESTES CASOS O QUE DEVE SER JULGADO. É A POSTURA DA PESSOA MASCULINA, QUE SOB A ÉGIDE PATRIMONIAL DO PAU DURO. FAZ COM QUE O MACHO SE VEJA NO DIREITO "E PRINCIPALMENTE NO DEVER DE EXPERIMENTAR QUALQUER DAS DELÍCIAS QUE ESTA VIDA PROPICIE", SEM QUE ISSO ARRANHE O VERNIZ DA SUA MASCULINIDADE E NEM SIGNIFIQUE NENHUM TIPO DE DESONRA QUE O TORNE MENOS HOMEM.
O CURIOSO É QUE A TRAVESTI ADMITIU NÃO TER ACREDITADO DE QUE SE TRATAVA DE RONALDO O FENÓMENO ,QUANDO ENTROU NO CARRO DELE, POR TE-LO ACHADO MUITO “BRANCO E CABELUDO”.
O FALO CONTINUA SENDO O SÍMBOLO MAIS CULTUADO NA TERRA ATÉ OS DIAS ATUAIS, SEJA PELA ADORAÇÃO DO SEU PRÓPRIO OU PELA FALTA DO ALHEIO.
TRAVESTIS QUANDO NÃO OPERADAS, SÃO TAMBÉM CARINHOSAMENTE CONHECIDAS (NO MEIO DOS HOMENS QUE LHES APRECIAM )COMO "MULHER INTEIRA" UMA ESPÉCIE ASSIM DE HERMAFRODITAS VORAZES DOS TEMPOS ATUAIS.
"QUEM GOSTA DE HOMEM É VIADO; MULHER GOSTA É DE DINHEIRO" (FRASE DE PARA CHOQUE DE CAMINHÃO)
PEDRO GUIMARÃES
terça-feira, 3 de maio de 2011
Fugi do MST
Ele também é um daqueles amigos que não se deve confiar muito na sua fala. Mas quando me contou sobre essa entrevista com essa senhora sacerdotisa na arte do erotismo, fiquei bastante curioso.
Trabalhando como jornalista, recebeu a encomenda de entrevistar tal senhora, moradora de um daqueles prédios sobre galerias comerciais ali da região da praça da república. E o que deveria ser um simples jogo de perguntas respostas foi se compondo num caleidoscópio de expectativas e anseios, donde nosso repórter, quase foi lançado num universo paralelo sem volta.
Ela contava que nascera no interior do Paraná e que com menos de 10 anos passou a viver entre as plantações de soja e trigo do Mato grosso do sul fronteira de seu estado de origem.
Desde muito menina habituou-se ao trabalho pesado nos roçados, com mãos calejados no manuseio de foices e enxadas, com vestimenta opaca e suja, como a vaidade de uma mulher era quase extirpada; porém sempre que chegava em casa após o trabalho-flagelo, se lavava e arrumava-se ficando em pé de igualdade na concorrência, com qualquer outra menina-moça, até mesmo daquelas que nunca tinham pegado na bóia-fria.
Tirava sua cutícula, limpava a fuligem das unhas e sempre usava uma base transparente, camada protetora de maior praticidade, para continuar no serviço que cumpria. Já tinha por volta de 15 anos e era de extrema tranqüilidade hormonal, a volúpia tardava em despertar naquele tão belo e sofrido corpo, pois nestes ambientes de trabalho (que só quem já viveu sabe), é comum os homens exibirem seus membros, gabarem seus feitos ginecológicos e com certa constância até investirem sobre as mulheres exigindo-lhes favores sexuais, sem que estas queiram e sem, que ninguém veja esses procedimentos como violência ou abuso é apenas um curso natural das coisas.
Sueli, era esse seu nome, também achava que isso tudo era normal, sem saber do verdadeiro poder de sua força (física) surpreendeu-se no dia em que um dos seus companheiros da bóia-fria, percebendo estar distante dos outros no meio da plantação com a moça sacou de seu membro duro e avançou sobre ela, que de prontidão conseguiu se defender com braços e pernas fortes, e ameaçadoras e tentou lhe castrar coma a forca de decepar trigo.
Ela própria não percebera o que havia ocorrido. O rapaz fugiu só que seu ataque fazia parte de uma aposta, sendo obrigado a prestar contas a todos os outros homens que souberam do seu insucesso, e que Sueli, aprisionava dentro de si uma espécie de cão, que a fortalecia em situações extremas emprestando- lhe a força de homem.
Aquela situação de quase estupro suscitou na moça ao invés de repulsa; curiosidade por homem. A eminência de ser deflorada lhe mostrou a possibilidade de sexo com homens e criou-se ali certo encanto e curiosidade, na parte dela que até então se apresentava sem libido. Só que havia um preço, em trabalhar e viver em ambiente tão masculino, os homens falam muito e de tudo entre si, ou seja sua fama de "fortona", já havia se espalhado; e por mais que esta esmerava em cuidados estéticos, e numa languidez convidativa, algo havia se rompido entre os desejos masculinos e ela. Já tinha quase 18 anos e ainda não tinha conhecido o prazer com homem, e isso porque vivia na maior parte do tempo no meio deles.
Algo precisava mudar e ela sentiu isso, como as crianças nas escolas se agitam cinco minutos antes da tempestade chegar. Foi aí que tomou uma iniciativa radical. Era de todos sabido que na praça da matriz havia um hotel, onde viajantes de muitas cidades grandes ali pernoitavam, sempre dispostos a degustar a comida local, impudicamente aproveitavam do cardápio sexual da cidadezinha. Transavam meninas-adolescentes, bichinhas, mulheres casadas enfim quem os procurasse entre os fundos da matriz e do hotel depois de certa hora. Sueli não via alternativa e foi isso que fez, se envolveu com uma hordazinha de adolescentes sedentos de mucosas forasteiras e ali conseguiu sua iniciação, amor viria depois, aliás, amor nunca lhe foi ausente amada por toda a família e amigos tinha a carência maior da carne do que do espírito. O viajante escolhido um fornecedor de remédios preencheu-lhe todos os sentidos, homem maduro que já beirava os 40, grato da dádiva de possuir tal corpo tão jovem, fez o máximo de si para que a moça pudesse saber sentir e poder ser mulher.
Esse fato na vida da moça lhe aturdiu, algo havia ficado pra trás, começou a ser tomada por uma vontade imensa de ir embora, não sabia nem pra onde, mas precisa ir, uma fatídica coincidência eclode as
lavouras mecanizam-se e os bóias- frias começam a ser demitidos, esta pequena tragédia era o que Sueli precisava, arrumou suas coisas, despediu-se da família terminou a oitava no supletivo noturno e foi em direção a cidade grande, com o endereço de uma pensão onde uma prima morava. Havia chegado em uma cidade média do interior de São Paulo, e aquilo para ela já era algo grande e diferente de tudo, trabalhadeira como sempre começou na faxina de casas burguesas, até sua prima conseguir levá-la para o supermercado onde eram repositoras de estoque, viviam um momento próspero conseguiram sair da pensão e alugar uma casinha de fundos, Sueli e a prima viviam um companheirismo quase sáfico, aos fins de semana iam para bailes dançar forró e música sertaneja, voltavam com homens namoravam, amavam e transavam. Até que novamente aconteceu, num desses sábados a prima de Sueli depois de recusar uma cantada, começa a ser espancada por um moço bonito da cidade, ela tudo vê a distancia corre em socorro da prima e com uma cadeira tenta esmagar a cabeça do moço, que é levado para o hospital com traumatismo craniano. Nem mesmo a própria prima que era vítima, do algoz foi solidária com Sueli que indignada teve que foragir-se, Decidiu que iria começar sua vida em São Paulo. E assim nossa heroína aporta na cinza e fétida São Paulo, Na pensão conhece trabalhadoras putinhas, fica encantada com tantos badulaques, aromas e cores. Mas se resigna, e vai trabalhar em supermercado. Parecia que havia se encontrado, a cidade é grande com todo tipo de gente, ninguém fala do outro, por que ninguém se observa muito, se é pra beber se bebe, se é pra transar se transa, amor nunca lhe fez muita falta; sempre foi muito amada onde convive, parecia que sua vida tinha atingido o ponto ápice de harmonia e tranqüilidade, até uma tarde dentro supermercado, após um anúncio do governo dizendo: Que os preços estavam congelados e que a população denunciasse remarcadores de preço, pois isso, era crime contra a economia popular . Sueli ao ver um funcionário remarcando os preços ,sem raciocínio ou titubeio espancou o moço na frente de todo mundo. Demitida e presa ao que tudo indicava ficaria por ali pelo resto dos seus dias. Mas o inusitado veio alguém providenciou que a moça fosse liberta, em menos de uma semana foi solta, na saída da delegacia uma senhora lhe aborda.
Senhora: Você não me conhece, mas fique sabendo que fiz de tudo para te soltar.
Sueli: Muito obrigada, mais fez por que quis, não te pedi nada.
Senhora: Não seja mal agradecida menina.
Sueli: Desculpa ainda estou muito abalada.
Senhora:Vamos para minha casa, eu quero te fazer uma proposta de emprego.
Ela era madame Suzane,a quem eu devo tudo que sou e tenho hoje, fiquei assustada, o apartamento dela era um daqueles gigantescos da Av São Luis, ela então abriu o jogo. Disse que já havia arrumado a vida de muitas moças, que trabalhando para ela como garotas de programa casaram-se com homens riquíssimos, desde que obedecessem suas regras e seus conselhos.
Disse para ela que não era puta e que muito menos tinha vocação para o negócio.
Madame Suzane então chegou no extremo de sua persuasão: Hoje é crescente a influência norte –americana entre os ricos de São Paulo, aquele modelo de putaria francesa com a menina de baby-doll e console, não os excita mais. Na América é cada vez mais comum um tipo de prostituta que não temos aqui. Espancadoras de homem. (Eu achei não ter ouvido direito) É isso mesmo que você ouviu,
Eu estava no mercado e vi o que você fez com o rapaz , quero contratar seus serviços, como pioneira no “spanking”, te asseguro que em cinco anos você vai estar muito bem de grana. E isso é tudo topei, sou conhecida como Dona Sueli a implacável, minha agenda esta disponível por telefone e internet, como sou rainha ninguém me penetra, de vez em quando autorizo um bem submisso para fazer esse serviço.
Já espanquei vários banqueiros, juízes, empresários, industriais,policiais, pastores, engenheiros, médicos toda a gama de homens bem sucedidos e acima de qualquer suspeita de nossa sociedade. Gostaria de expandir meus serviços para setores mais populares, mais infelizmente o preço do meu atendimento é caro.
Presto uma espécie assim de terapia para essas pessoas que confessam procurar meus serviços por não poderem permitir se espancar por suas esposas, subjugados ou empregados, que Isso prejudicaria vossa autoridade. Dessa forma aqui estou para oferecer este serviço, agradeço muito madame Suzane, todas nós que passamos por suas mãos estamos muito bem. Eu tenho casas de aluguel no interior de São Paulo e do Paraná.
Quando o cliente chega e bate na minha porta se me chamar de Dona Sueli, voluntariamente sou mais piedosa, agora se chegar me chamando de Sueli será recebido com tapa na cara para aprender a exercitar sua humildade, e depois de toda a surra ainda terá que lavar a minha louça antes de ir embora.
O meu amigo repórter nessa hora sentiu um fogo estranho lhe consumir um lado do corpo e do rosto teve vontade de insistir na falta de decoro e bradar: Sueliii... E acabou fazendo: Sueli...
Dona Sueli: (com o dedo indicador em riste, respondeu veementemente) Dona meu filho.Dona, Dona Sueli!
Pedro Guimarães
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